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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Criança com crises convulsivas de difícil controle e com hemiparesia direita com piora progressiva. Tomografia computadorizada do crânio apresentou atrofia cortical, no hemisfério esquerdo, espessamento da calota e seios da fase aumentados deste lado, além de calcificações corticais distróficas na região fronto-parietal. Assinale a opção que indica o provável diagnóstico.

Gabarito: A

A síndrome de Sturge-Weber é uma neurocutaneopatia clássica. Ela costuma aparecer na infância com crises convulsivas de difícil controle, déficit neurológico progressivo e, muitas vezes, hemiparesia do mesmo lado das alterações cerebrais. O quadro acontece por uma malformação vascular leptomeníngea, que gera sofrimento cortical crônico e, com o tempo, atrofia do hemisfério acometido. Na tomografia, a pista é bem típica: atrofia cortical unilateral, calcificações corticais distróficas e, em alguns casos, hipertrofia compensatória do osso do crânio e dos seios venosos do mesmo lado. Quando você vê essa combinação em uma criança com epilepsia rebelde e piora neurológica progressiva, o alarme toca para Sturge-Weber quase que por reflexo. O achado cutâneo clássico é a mancha em vinho do porto na distribuição do trigêmeo, embora o enunciado nem sempre a traga. Em prova, a banca gosta de cobrar a tríade prática: convulsões, déficit focal progressivo e calcificações corticais. É a imagem que “fecha” o raciocínio. As demais alternativas não combinam com esse padrão neurorradiológico. Algumas são síndromes genéticas com telangiectasias ou malformações vasculares, mas sem esse conjunto de hemisfério atrofiado, calcificação cortical e alteração óssea ipsilateral. Então, quando a criança tem crise refratária + hemiparesia progressiva + calcificação cortical unilateral, a resposta é Sturge-Weber.

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