Mulher de 32 anos em uso de anticoncepcional queixa-se de dor na panturrilha e dispneia. A saturação do O2 se encontra em 90% e o médico plantonista que a atende solicita a dosagem sérica do dímero-d. Quanto ao seu uso para o diagnóstico de tromboembolismo pulmonar está correto:
- A)Apresenta alta sensibilidade e alta especificidade para estas situações;
Errada, porque o dímero-D não tem alta especificidade para TEP, apesar de ser muito sensível.
- B)Possui alta sensibilidade, mas pode também estar elevado em diversas doenças sistêmicas;
Certa, pois o dímero-D é altamente sensível, mas pode se elevar em várias doenças e situações não trombóticas.
- C)Tem boa especificidade para o diagnóstico, porém apresenta sensibilidade inferior a 70% no tromboembolismo pulmonar;
Errada, porque justamente o contrário ocorre: a sensibilidade é alta, e a especificidade é baixa.
- D)Está indicada a sua realização somente naqueles pacientes hospitalizados visto que neles seus níveis habitualmente estão elevados
Errada, porque o dímero-D não é indicado apenas em hospitalizados; ele é usado conforme a probabilidade clínica, inclusive em pacientes ambulatoriais.
- E)Quando apresenta nível sérico acima do limite normal dispensa a realização de exame de imagem para comprovação do tromboembolismo.
Errada, porque um dímero-D acima do normal não dispensa imagem, já que ele não confirma TEP sozinho.
Gabarito: B
O dímero-D é um marcador de degradação da fibrina, ou seja, ele sobe quando há formação e quebra de trombos no organismo. Por isso, na suspeita de tromboembolismo pulmonar (TEP), ele funciona muito bem como exame de triagem: quando vem normal em paciente com baixa ou moderada probabilidade clínica, ajuda a afastar TEP e evitar exame de imagem desnecessário. A lógica aqui é simples: exame bom para excluir, não para confirmar sozinho. O ponto mais importante é que o dímero-D tem alta sensibilidade, mas baixa especificidade. Isso significa que um resultado normal torna TEP menos provável, mas um resultado elevado não fecha diagnóstico, porque ele pode subir em várias situações além de trombose. É por isso que a alternativa B está correta: ela descreve exatamente esse comportamento. Ele pode estar aumentado em infecção, inflamação, pós-operatório, gravidez, câncer, trauma, idade avançada e diversas outras condições sistêmicas. Então, pensar que um valor alto já resolve o caso é cair na armadilha clássica da prova. Na prática, a confirmação do TEP depende de exame de imagem, como angiotomografia de artérias pulmonares, conforme o contexto clínico. Em resumo: dímero-D normal ajuda a excluir TEP em pacientes selecionados; dímero-D alto não confirma o diagnóstico. A banca FGV costuma cobrar essa diferença entre sensibilidade e especificidade, e aqui ela quer que você reconheça o exame como útil para exclusão, não como atalho diagnóstico.