O D-dímero elevado ganhou grande repercussão nos últimos meses devido ao COVID-19. Sua utilização nos quadros de Tromboembolismo Venoso, tanto na Trombose Venosa Profunda quanto no Tromboembolismo Pulmonar, já é conhecida há bastante tempo, principalmente pelo seu valor preditivo negativo nesses casos. Sobre o D-dímero, é correto afirmar que
- A)é o responsável pela degradação da fibrina.
Errada, porque o D-dímero não degrada fibrina; ele é um produto da degradação da fibrina estabilizada.
- B)gravidez não altera seu valor preditivo negativo.
Errada, porque a gravidez eleva o D-dímero e reduz sua utilidade diagnóstica, inclusive afetando a interpretação do valor preditivo negativo.
- C)a idade do paciente não interfere nos valores.
Errada, porque a idade interfere sim nos valores, e há até estratégias de ponto de corte ajustado pela idade em alguns contextos.
- D)cirurgias recentes podem alterar o D-dímero.
Certa, porque cirurgias recentes podem elevar o D-dímero por ativação da coagulação e fibrinólise no pós-operatório.
- E)os valores normais do D-Dímero são abaixo de 1000 ng/mL.
Errada, porque não existe valor normal universal abaixo de 1000 ng/mL; os cortes variam conforme o método e, em muitos laboratórios, o limite de referência é menor.
Gabarito: D
O D-dímero é um fragmento gerado quando a fibrina, já formada no processo de coagulação, é degradada pela plasmina. Então, ele não é o responsável pela degradação da fibrina, mas sim um produto dessa quebra. Por isso, ele costuma subir quando há formação e destruição de trombos, como no tromboembolismo venoso, embora seja um exame pouco específico. Na prática, o grande valor do D-dímero é o seu valor preditivo negativo: em pacientes com baixa ou moderada probabilidade clínica de TVP ou TEP, um resultado normal ajuda bastante a afastar o diagnóstico. O problema é que várias situações comuns podem elevar o exame sem que exista trombose, como infecção, inflamação, câncer, gestação, idade avançada e cirurgia recente. Ou seja, ele é ótimo para excluir, mas fraco para confirmar. É exatamente por isso que a alternativa D está correta: cirurgias recentes podem aumentar o D-dímero por ativarem coagulação e fibrinólise no pós-operatório. Já na gestação, na idade avançada e em outras condições pró-inflamatórias, o exame perde parte da utilidade e precisa ser interpretado com muito cuidado. Resumo de prova: D-dímero normal ajuda a excluir trombose em cenário apropriado, mas um D-dímero alto não fecha diagnóstico sozinho. A banca gosta de testar essa ideia misturando situações que elevam o exame com frases absolutas sobre seu valor.