Um paciente masculino, 22 anos, emagrecimento, tosse, seca, dor torácica tipo pleurítica e febre, tem um rx de tórax que mostra um derrame pleural à esquerda. É realizada uma toracocentese que retira 80 mL de líquido amarelo palha. Dentre as opções listadas a seguir, indique as que podem ser usadas para diferenciar um exudato de um transudato.
- A)Ureia, creatinina e potássio no líquido pleural.
Errada, porque ureia, creatinina e potássio no líquido pleural não são critérios clássicos para diferenciar exsudato de transudato.
- B)Relação de proteínas no líquido pleural / proteínas totais séricas, relação do LDH do líquido pleural / LDH sérico.
Certa, porque a relação proteína pleural/proteína sérica e a relação LDH pleural/LDH sérico fazem parte dos critérios de Light.
- C)Relação da glicose do líquido pleural / glicose sérica, citologia.
Errada, porque relação de glicose e citologia podem sugerir causas específicas, mas não definem a classificação básica entre exsudato e transudato.
- D)Dosagem de adenosina e de aminase no líquido pleural.
Errada, porque adenosina deaminase e amilase ajudam em hipóteses como tuberculose e pancreatite, mas não fazem a distinção inicial entre exsudato e transudato.
- E)Citometria do liquido pleural.
Errada, porque citometria do líquido pleural não é método de rotina para essa diferenciação e não substitui os critérios de Light.
Gabarito: B
Em derrame pleural, a primeira pergunta que salva tempo é simples: o líquido é exsudato ou transudato? Isso muda a investigação e aponta se o problema vem de inflamação local, infecção, neoplasia, embolia, tuberculose, ou de um desequilíbrio sistêmico, como insuficiência cardíaca, cirrose e síndrome nefrótica. Quando o líquido é amarelo-palha, isso não fecha diagnóstico sozinho, porque a aparência engana bastante. Para diferenciar exsudato de transudato, usamos os critérios de Light, que são os campeões de prova. O derrame é exsudativo se tiver pelo menos um destes: relação proteína pleural/proteína sérica maior que 0,5, relação LDH pleural/LDH sérico maior que 0,6, ou LDH pleural maior que 2/3 do limite superior normal do LDH sérico. Esses parâmetros funcionam porque o exsudato surge com aumento de permeabilidade capilar e conteúdo proteico mais alto. É por isso que a alternativa B está correta: ela traz exatamente dois dos critérios de Light, usados na prática e cobrados em prova. Já marcadores como ureia, creatinina, potássio, citologia, ADA e amilase podem ajudar em diagnósticos específicos, mas não são os critérios clássicos para separar exsudato de transudato. Em resumo: para a banca, pense primeiro em Light. Se aparecer relação de proteínas e relação de LDH entre líquido pleural e soro, você já está no caminho certo. O resto é investigação complementar, não o filtro principal.