Lactente, portador de atresia de vias biliares com cirrose, evolui com insuficiência hepática terminal e injúria renal aguda. Em relação a síndrome hepatorenal, assinale a afirmativa correta.
- A)Aplica-se a qualquer envolvimento renal em doenças de origem hepática.
Errada: a síndrome hepatorrenal não é qualquer lesão renal em doença hepática, mas uma entidade específica ligada à cirrose avançada e disfunção circulatória.
- B)A dosagem de albumina sérica encontra-se normal.
Errada: a albumina sérica costuma estar reduzida, pois esses pacientes têm insuficiência hepática e menor síntese proteica.
- C)Está associada a hipervolemia.
Errada: o quadro decorre de hipovolemia arterial efetiva, não de hipervolemia, embora possa haver edema e ascite.
- D)Apresenta melhor evolução com o uso de drogas vasodilatadoras para redução da pressão arterial.
Errada: vasodilatar e reduzir a pressão arterial piora a perfusão renal; o manejo busca melhorar a hemodinâmica, não derrubar a pressão.
- E)O tratamento de escolha é o transplante hepático.
Certa: o transplante hepático é o tratamento definitivo e de escolha, pois resolve a doença de base e pode reverter a síndrome hepatorrenal.
Gabarito: E
A síndrome hepatorrenal é uma causa de injúria renal aguda funcional, típica de paciente com cirrose avançada e insuficiência hepática grave. O rim, nesse cenário, não está “queimado” estruturalmente no começo: ele sofre por vasoconstrição intensa da circulação renal, desencadeada pela vasodilatação esplâncnica e pela queda do volume arterial efetivo. Resultado prático: o paciente fica com creatinina subindo, pouco sódio urinário e urina escassa, mesmo sem um problema renal primário evidente. É importante não cair na ideia de que qualquer alteração renal em doença do fígado seja síndrome hepatorrenal. A síndrome tem critérios bem específicos e ocorre em contexto de cirrose com ascite e disfunção circulatória importante. Também não é um quadro de hipervolemia verdadeira; apesar de o doente poder parecer edemaciado ou com ascite, o que manda é a hipovolemia arterial efetiva, como se o organismo estivesse “sem sangue circulante útil” para perfundir o rim. Outro detalhe: a albumina sérica costuma estar baixa nesses pacientes, porque eles têm doença hepática avançada e menor síntese proteica. Além disso, tratar com vasodilatadores para baixar a pressão não ajuda; isso tende a piorar a perfusão renal. O raciocínio aqui é o oposto: usa-se terapia que aumente o volume arterial efetivo e, em alguns casos, vasoconstritores específicos para melhorar a hemodinâmica renal, sempre como ponte. Por isso, o tratamento de escolha é o transplante hepático. Ele corrige a causa de base da síndrome e oferece a melhor chance de reversão do quadro renal. Na prática, outras medidas podem ser temporárias, mas o desfecho mais definitivo vem com o transplante, o que torna a alternativa E a correta.