A dispneia é uma experiência subjetiva de desconforto respiratório que consiste em sensações qualitativamente distintas e que variam em intensidade. Essa experiência deriva da interação entre múltiplos fatores fisiológicos, psicológicos, sociais e ambientais, e pode induzir respostas fisiológicas e comportamentais secundárias. Sendo um sintoma prevalente e debilitante que se relaciona com a piora da funcionalidade, ansiedade e qualidade de vida, assinale a opção que descreve, corretamente, a abordagem terapêutica em um paciente com DPOC em fase avançada em cuidados paliativos com dispneia.
- A)Deve-se oferecer de imediato opioide via intravenosa e caso não haja melhora iniciar ventilação não-invasiva de forma contínua.
Errada: opioide pode ser usado para dispneia refratária, mas não como primeira medida obrigatória por via intravenosa nem com ventilação não invasiva contínua de rotina.
- B)Como a ansiedade é um sintoma que piora a sensação da dispneia sempre deve ser utilizado midazolam 15 mg via intravenosa para controle imediato ansiedade.
Errada: ansiedade pode piorar a dispneia, mas não se indica midazolam IV fixo e imediato para todo paciente, porque isso não é conduta padrão e pode sedar demais.
- C)As intervenções se iniciam no controle da doença de base, na reeducação respiratória com melhora da postura, no fluxo de ar na face e oxigenioterapia, se indicada.
Certa: a abordagem em DPOC avançada com dispneia começa por controle da doença de base, reeducação respiratória, postura, fluxo de ar na face e oxigênio se houver indicação.
- D)O fluxo de ar frio a partir de um ventilador direcionado para a face é uma medida que gera mais angústia e adia o controle da dispneia, sem relato de alívio do sintoma.
Errada: o ventilador voltado para a face pode aliviar a dispneia e é uma medida simples, barata e útil, não uma fonte de angústia.
- E)As intervenções psicológicas não trazem benefícios para pacientes com distúrbio significativo de ansiedade e depressão, sendo melhor e mais seguro benzodiazepínicos.
Errada: intervenções psicológicas podem ajudar bastante em ansiedade e depressão associadas à dispneia, e benzodiazepínicos não são a solução mais segura nem universal.
Gabarito: C
A dispneia na DPOC avançada em cuidados paliativos não é tratada com uma única medida milagrosa, e sim com um pacote bem pensado de intervenções. A ideia é começar pelo que ajuda mais e com menos risco: otimizar a doença de base quando ainda há algo a ajustar, orientar posição e reeducação respiratória, e usar medidas simples como fluxo de ar na face e oxigenioterapia quando houver indicação. Isso costuma aliviar a sensação de falta de ar sem exagerar em intervenções mais invasivas. Em cuidados paliativos, o foco não é "procurar briga" com a dispneia, mas reduzir sofrimento e melhorar funcionalidade. Por isso, medidas não farmacológicas têm papel importante, e a oxigenioterapia só faz sentido se houver hipoxemia ou indicação clínica clara. O ventilador apontado para o rosto, por exemplo, pode dar alívio real do sintoma em muitos pacientes, por reduzir a percepção de falta de ar. A letra C está correta justamente por reunir esse raciocínio inicial e escalonado: controle da doença de base, reeducação respiratória com melhora da postura, fluxo de ar na face e oxigênio se indicado. Em prova, quando a banca fala em paliativo, ela costuma valorizar abordagem multiprofissional, sintoma a sintoma, com medidas simples antes de partir para sedação ou ventilação sem necessidade.