Mulher, 36 anos, portadora de doença bronquiectásica. Apresenta quadro clínico caracterizado por hemoptise, quantificada em cerca de 200mL, nas últimas 12 horas. Em relação à sequência mais adequada de procedimentos e/ou tratamento, assinale a afirmativa correta.
- A)Intervenção cirúrgica precoce com segmentectomia pulmonar.
Errada, porque cirurgia precoce não é a primeira medida na maioria dos casos de hemoptise por bronquiectasia, já que a embolização costuma vir antes e é menos invasiva.
- B)Repouso no leito, tomografia de tórax e antibioticoterapia sistêmica.
Errada, porque repouso e antibioticoterapia podem ser adjuvantes, mas não substituem a investigação e o controle hemostático do sangramento relevante.
- C)Tomografia de tórax, broncoscopia e embolização de artéria brônquica.
Certa, porque prioriza tomografia para localizar o foco, broncoscopia para avaliação da via aérea e embolização da artéria brônquica para controle do sangramento.
- D)Tomografia de tórax, broncoscopia, antibioticoterapia e RHZE.
Errada, porque RHZE é esquema para tuberculose e não se aplica como conduta padrão aqui sem evidência clínica ou diagnóstica de TB.
- E)Angio-tomografia de tórax, repouso no leito e antibioticoterapia.
Errada, porque angio-TC e repouso não resolvem sozinhos uma hemoptise volumosa e a antibioticoterapia isolada não é a etapa decisiva do manejo.
Gabarito: C
Na bronquiectasia, a hemoptise pode variar de pequena a maciça, e quando o volume já é significativo, o foco deixa de ser apenas "tratar o pulmão" e passa a ser controlar a fonte do sangramento com segurança. Em geral, a sequência prática é: localizar o foco com tomografia de tórax, avaliar a via aérea com broncoscopia e, se o sangramento for importante ou recorrente, partir para embolização da artéria brônquica, que é uma medida menos invasiva e muito útil nesses casos. A tomografia ajuda a identificar a área doente, o broncoscópio pode localizar o lado do sangramento e até auxiliar na proteção da via aérea, e a embolização trata a causa imediata do sangramento na circulação brônquica, que costuma ser a responsável pela maioria dos episódios relevantes de hemoptise em bronquiectasias. Cirurgia fica para situações selecionadas, como falha da embolização, lesão localizada muito bem definida ou sangramento refratário. Por isso, a alternativa C está correta: ela organiza a investigação e o tratamento de forma lógica e escalonada - tomografia, broncoscopia e embolização da artéria brônquica. As demais opções misturam condutas que podem até fazer parte do cuidado de suporte, mas não são a sequência mais adequada diante de hemoptise importante em paciente com bronquiectasia.