Paciente de 58 anos, com diagnóstico de câncer de mama esquerda receptor hormonal e HER-2 negativo aos 50 anos, recebeu novo diagnostico de carcinoma mamário do mesmo lado e quadrante do anterior estágio clínico cT2cN0M0. Inicialmente (aos 50 anos) foi tratada cirurgicamente com quadrantectomia e biopsia de linfonodo sentinela. Seguiu para radioterapia ajuvante e hormonioterapia adjuvante. Sobre este caso, assinale a afirmativa correta.
- A)Paciente com diagnóstico de tumor inicial e pode novamente ser submetida a cirurgia conservadora, independente da dose previa de radioterapia utilizada.
Errada, porque a possibilidade de nova cirurgia conservadora não é independente da radioterapia prévia e exige reavaliação do caso e da mama previamente irradiada.
- B)Paciente não tem necessidade de reestadiamento, pois é assintomática.
Errada, porque uma nova lesão mamária exige reestadiamento, mesmo em paciente assintomática, para excluir doença locorregional ou metastática.
- C)Não é necessário realizar nova imunohistoquímica do tumor, previamente ao tratamento cirúrgico.
Errada, porque a imunohistoquímica deve ser repetida, já que o perfil biológico do tumor pode mudar e isso interfere diretamente no tratamento.
- D)Paciente com indicação de nova investigação completa: com imunohistoquímica, estadiamento sistêmico e conduta cirúrgica a depender do resultado desses exames.
Certa, porque o caso pede nova investigação completa com confirmação anatomopatológica, imunohistoquímica, estadiamento sistêmico e definição da melhor conduta cirúrgica e oncológica.
- E)Paciente com indicação de cirurgia prévia a qualquer tratamento sistêmico, pois não pode mais realizar cirurgia conservadora mamária.
Errada, porque a cirurgia não é decidida de forma automática antes da avaliação completa e a impossibilidade de cirurgia conservadora não exclui a necessidade de investigar e planejar o tratamento.
Gabarito: D
Quando a paciente já tratou câncer de mama e aparece uma nova lesão no mesmo lado, especialmente no mesmo quadrante, você não pode presumir que seja apenas “recaída conhecida” e sair tratando no automático. A conduta correta é reavaliar tudo: confirmar histologia, repetir imunohistoquímica e fazer estadiamento para saber se é uma nova neoplasia, uma recidiva local ou até doença mais extensa. Em oncologia, o tratamento depende do que o tumor é hoje, não só do que ele era anos atrás. Por isso, a alternativa D está correta. A repetição da imunohistoquímica é importante porque o perfil tumoral pode mudar com o tempo, e isso altera a escolha terapêutica. Além disso, um novo estadiamento sistêmico é indicado para afastar doença à distância e orientar a estratégia cirúrgica e sistêmica. Em termos práticos: primeiro reclassifica, depois trata. Outro ponto importante é que a história prévia de quadrantectomia com radioterapia pesa muito na decisão cirúrgica. Se a paciente já recebeu radioterapia na mama, a possibilidade de nova cirurgia conservadora fica mais limitada e depende de avaliação especializada, não de regra automática. Então, nada de “vai direto para a mesma receita de bolo” porque oncológico adora confundir quem pensa que tudo é igual ao primeiro diagnóstico. Em resumo: tumor mamário novo ou suspeita de recidiva local exige investigação completa antes de definir conduta. Isso é coerente com a prática oncológica e com as diretrizes de manejo do câncer de mama, que valorizam biópsia com estudo imuno-histoquímico e reestadiamento quando há nova apresentação da doença.