Sobre os métodos ecocardiográficos para avaliação da função do ventrículo direito (VD), assinale a afirmativa correta.
- A)A fração de ejeção pelo método 3D é independente da pré e pós carga.
Errada, porque a fração de ejeção pelo eco 3D ainda sofre influência de condições de carga, não sendo independente de pré e pós-carga.
- B)A variação fracional da área do VD (FAC) miocárdica do VD tem boa correlação com a fração de ejeção pela ressonância cardíaca.
Certa, pois a FAC do VD é um método funcional global que tem boa correlação com a fração de ejeção obtida pela ressonância magnética cardíaca.
- C)O strain longitudinal do VD obtido pelo speckle tracking é o método de escolha para paciente com fibrilação atrial de alta resposta ventricular.
Errada, porque o strain longitudinal em fibrilação atrial com resposta ventricular alta perde reprodutibilidade pela grande variabilidade entre ciclos.
- D)A velocidade de pico sistólico do anel tricúspide avaliado pelo Doppler tecidual (S’) e o TAPSE são métodos de escolha para avaliação da função do VD, após toracotomia e transplante cardíaco.
Errada, porque após toracotomia e transplante cardíaco os índices longitudinais como TAPSE e S’ podem ficar alterados e não são os melhores métodos de escolha.
- E)O índice de performance obtido pelo Doppler tecidual é bem confiável, mesmo quando a pressão do átrio direito está elevada.
Errada, porque o índice de performance obtido pelo Doppler tecidual fica pouco confiável quando a pressão do átrio direito está elevada.
Gabarito: B
A avaliação da função do ventrículo direito (VD) na ecocardiografia é uma daquelas partes que parecem simples, mas adoram cobrar detalhes. O VD tem geometria complexa, trabalha com parede fina e sofre muito com mudanças de carga, então nenhum índice isolado é perfeito. Por isso, a interpretação costuma combinar métodos como TAPSE, S’, FAC, strain e, em alguns casos, o eco 3D. Entre esses métodos, a fração de variação da área do VD, chamada FAC, é um parâmetro clássico e bastante útil. Ela compara a área do VD na diástole e na sístole, refletindo a função sistólica global, e apresenta boa correlação com a fração de ejeção obtida pela ressonância magnética cardíaca, que é referência muito forte para avaliação volumétrica do VD. É exatamente por isso que a alternativa B está correta. Já os índices longitudinais, como TAPSE e S’, são práticos e muito usados, mas têm limitações em situações em que o encurtamento longitudinal fica alterado por cirurgia, toracotomia ou transplante cardíaco. O strain pode ajudar em vários cenários, mas em fibrilação atrial com resposta ventricular alta a variabilidade de batimentos atrapalha bastante a reprodutibilidade. E o índice de performance miocárdica também perde confiabilidade quando a pressão do átrio direito está elevada, porque seus tempos de enchimento e ejeção ficam distorcidos. Resumo de prova: quando a banca fala em correlação forte com ressonância para função sistólica do VD, pense em FAC. É a resposta que não tenta inventar moda e entrega o que realmente cai.