Paciente de 55 anos foi internada em enfermaria no primeiro dia de pós-operatório de cirurgia ginecológica para extração de mioma uterino. Durante a visita médica, a paciente se queixa de cansaço e “dificuldade para respirar”. Refere que o quadro iniciou-se pela manhã logo ao se levantar para ir ao banheiro, quando sentiu certo desconforto torácico do lado esquerdo do tórax. Ao exame está em bom estado geral, lúcida e orientada, corada, hidratada, taquipneica, porém sem esforço respiratório evidente. SV: Fc 110bpm, PA 110/70mmHg, FR 26irpm, SO2 91%. AR: MVUA, sem RA. ACV: RCR2T ABD: Peristalse presente, flácido, pouco doloroso na região da cirurgia, curativo cirúrgico limpo, timpânico. MMII: sem edemas, panturrilhas livres. Considerando a principal hipótese diagnóstica para o caso acima, indique o exame complementar mais indicado nesse momento.
- A)Radiografia de tórax PA e perfil.
A radiografia de tórax pode ser normal ou inespecífica no TEP, então não é o exame confirmatório mais indicado.
- B)Dosagem laboratorial de D-dímero.
O D-dímero fica frequentemente elevado no pós-operatório, tornando-se pouco útil para excluir TEP nesse contexto.
- C)Ecocardiograma.
O ecocardiograma pode sugerir sobrecarga de câmaras direitas em TEP grave, mas não é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico.
- D)Angio-tomografia computadorizada de tórax.
A angiotomografia de tórax é o exame de escolha para confirmar TEP em paciente hemodinamicamente estável com suspeita clínica.
- E)ECO-Doppler de membros inferiores.
O Doppler de membros inferiores pode detectar TVP associada, mas não substitui a investigação direta do tórax quando a suspeita é de TEP.
Gabarito: D
No pós-operatório, dor torácica súbita, dispneia, taquicardia e dessaturação fazem você pensar primeiro em tromboembolismo pulmonar (TEP), especialmente quando não há crepitações, sibilos ou sinais claros de pneumonia, pneumotórax ou congestão. O cenário é bem clássico: cirurgia recente, imobilização relativa e início agudo dos sintomas durante a deambulação. Em TEP, o exame físico pode ser surpreendentemente pouco chamativo, então a ausência de ruídos pulmonares anormais não tranquiliza ninguém. Aqui, o exame complementar mais indicado é a angiotomografia computadorizada de tórax, porque ela permite visualizar o trombo nas artérias pulmonares e é o teste de escolha em paciente hemodinamicamente estável com suspeita clínica de TEP. Como a paciente está estável, lúcida, sem choque e sem contraindicação informada, o caminho prático é confirmar o diagnóstico com imagem de tórax vascular. O D-dímero não é a melhor opção nesse contexto, porque em pacientes pós-operatórios ele costuma vir elevado por inflamação e cicatrização, o que reduz muito sua utilidade para excluir TEP. Ou seja: nesse cenário ele vira um exame que faz barulho, mas ajuda pouco. O raciocínio é de alta suspeição clínica, não de triagem inocente. Radiografia de tórax e ecocardiograma podem ter papel complementar em alguns casos, mas não fecham o diagnóstico com a mesma precisão. Já o Doppler de membros inferiores pode ajudar se houver sinais de TVP, mas a ausência de edema ou dor em panturrilha não afasta TEP, e o exame de perna não substitui a avaliação direta do pulmão. Em provas, a banca gosta exatamente dessa ideia: suspeita forte + paciente estável = angiotomografia.