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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

A maior parte dos pacientes com câncer de próstata localizado podem ser curados apenas com a prostatectomia radical, mas ainda assim há risco de recidiva tumoral, sobretudo para aqueles que apresentam fatores de risco. Em alguns estudos, como o SWOG 8794 e o EORTC 22911, os pacientes foram randomizados para, após a prostatectomia radical, receber radioterapia adjuvante ou seguir em controle. Em outros, ao invés de apenas controle, os pacientes deveriam receber radioterapia precocemente, em caso de recidiva bioquímica. Em relação à avaliação e aos tratamentos adjuvantes para pacientes com câncer de próstata localizado, submetidos à prostatectomia radical e na ausência de acometimento linfonodal ou de recorrência bioquímica, analise as afirmativas a segur e assinale (V) para a verdedeira e (F) para a falsa. ( ) São considerados fatores prognósticos adversos, com maior risco de recidiva: margem cirúrgica positiva, invasão de vesícula seminal e extensão extracapsular. ( ) A observação não é considerada conduta adequada para pacientes com um ou mais fatores de risco, pois estudos mais recentes e com maior tempo de seguimento mostraram menor sobrevida livre de recorrência bioquímica, menor sobrevida global e piora da qualidade de vida. ( ) Caso seja optado por radioterapia adjuvante, devido à presença de algum fator de risco, o campo de tratamento deve incluir toda a pelve e os pacientes devem receber pelo menos 6 meses de terapia de deprivação androgênica. As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,

Gabarito: E

Depois da prostatectomia radical, o foco é separar quem tem chance boa de cura de quem merece vigilância mais apertada. Os fatores prognósticos adversos mais clássicos para recidiva são margem cirúrgica positiva, invasão de vesícula seminal e extensão extraprostática (ou extracapsular), então a primeira afirmação está correta. A segunda está errada porque a observação continua sendo uma conduta aceitável em muitos pacientes, mesmo com fatores de risco, especialmente à luz de estudos mais recentes que compararam radioterapia adjuvante com radioterapia precoce de resgate. Em geral, não se demonstrou vantagem consistente da adjuvância para sobrevida global, e a estratégia de vigilância com tratamento precoce na recidiva bioquímica evita irradiar todo mundo à toa, o que também poupa toxicidade. A terceira também está errada. Se houver indicação de radioterapia adjuvante, o tratamento padrão não é irradiar toda a pelve de rotina, e tampouco há obrigação de associar pelo menos 6 meses de privação androgênica em todos os casos. O uso de ADT e o volume de tratamento dependem do cenário clínico e dos achados patológicos, não sendo uma regra fixa para todo paciente pós-prostatectomia. Resumindo: a banca queria que você reconhecesse os fatores de risco, mas também percebesse que o cenário moderno favorece observação com radioterapia precoce de resgate quando necessário, em vez de adjuvância automática para todo mundo.

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