Sobre os biomarcadores, cada vez mais usados na sepse, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Os níveis de procalcitonina caem rapidamente, quando antibioticoterapia adequada é iniciada.
Certa: a procalcitonina tende a cair rapidamente com controle adequado da infecção e antibioticoterapia efetiva.
- B)Os biomarcadores são utilizados no diagnóstico, prognóstico e monitorização da resposta terapêutica.
Certa: biomarcadores podem ser usados para diagnóstico, prognóstico e monitorização da resposta ao tratamento.
- C)As medidas seriadas de lactato tem sido utilizadas no acompanhamento dos quadros de sepse e da resposta ao tratamento.
Certa: o lactato seriado é amplamente usado na sepse para acompanhar hipoperfusão e resposta terapêutica.
- D)A síntese de proteína C reativa ocorre no fígado, estimulada principalmente pela interleucina-6, fator de necrose tumoral e interleucina-1.
Certa: a proteína C reativa é produzida no fígado, estimulada sobretudo por IL-6, além de IL-1 e TNF.
- E)Os valores de procalcitonina são alterados pelo uso de quimioterapia e corticoides, não sendo usados no controle em pacientes oncológicos.
Errada: quimioterapia e corticoides não impedem o uso da procalcitonina no acompanhamento de pacientes oncológicos, embora a interpretação deva ser contextualizada.
Gabarito: E
Na sepse, biomarcadores ajudam a “enxergar” o que nem sempre o exame físico entrega com clareza: inflamação, gravidade e resposta ao tratamento. Por isso, eles entram no diagnóstico, no prognóstico e no acompanhamento, mas nunca devem ser usados sozinhos como se fossem uma bola de cristal. Eles complementam a clínica, não substituem o raciocínio clínico. A procalcitonina costuma subir em infecções bacterianas e cair quando o foco infeccioso é controlado e a antibioticoterapia está adequada, o que a torna útil para monitorização. Já o lactato é muito importante porque traduz hipoperfusão e gravidade, sendo comum a dosagem seriada para ver se o paciente está respondendo à ressuscitação e ao tratamento. A proteína C reativa é produzida no fígado, principalmente estimulada pela interleucina-6, mas também por outras citocinas inflamatórias, como IL-1 e TNF. É um marcador inespecífico, porém útil quando interpretado em conjunto com o quadro clínico e outros exames. O erro da alternativa E está em afirmar que quimioterapia e corticoides tornam a procalcitonina inutilizável em pacientes oncológicos. Isso é forte demais. Esses pacientes podem, sim, ser acompanhados com procalcitonina, embora a interpretação deva levar em conta o contexto clínico e possíveis particularidades da imunossupressão.