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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Na cirurgia de Revascularização do Miocárdio, o uso de dois enxertos de artéria torácica interna (ATI) traz, segundo muitos autores, impacto positivo na sobrevida dos pacientes, se comparado ao uso de uma única ATI. Assinale a opção que indica uma possível desvantagem da dissecção e preparo das duas artérias torácicas internas.

Gabarito: C

Na revascularização do miocárdio, a artéria torácica interna (ATI) é um enxerto muito valorizado porque costuma ter excelente perviedade e bom resultado a longo prazo. Quando o cirurgião usa as duas ATIs, a ideia é aumentar a durabilidade do bypass, o que pode melhorar a sobrevida em muitos pacientes. Só que nem tudo são flores: mexer nas duas artérias da parede torácica pode aumentar o trauma local e complicar a cicatrização da ferida operatória. A principal desvantagem cobrada aqui é o maior risco de infecção profunda da ferida esternal, especialmente quando a dissecção das duas ATIs é feita em pacientes com perfil de risco maior, como mulheres, idosos e diabéticos. Isso acontece porque a irrigação do esterno pode ficar mais comprometida, favorecendo deiscência e mediastinite. Em concurso, essa é a associação clássica: duas ATIs trazem benefício potencial, mas exigem cuidado redobrado com o esterno. Em termos práticos, a banca gosta de testar se você sabe separar vantagem de limitação técnica. O uso bilateral de ATI não impede usar outros enxertos, não “some” com os ramos da circunflexa e não altera a aterosclerose coronariana do paciente. O ponto fraco, mesmo, é a complicação da ferida torácica. Então, se aparecer a dupla ATI, pense em melhor durabilidade do enxerto, mas também em maior risco de infecção esternal em grupos vulneráveis. É o clássico custo-benefício da cirurgia cardíaca: ganha-se na perviedade, mas paga-se um preço potencial na parede torácica.

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