Entre as complicações observadas em crianças portadoras de doença renal crônica terminal em programa de hemodiálise observa-se que
- A)o excesso de remoção de volume pode levar a episódios de hipertensão durante a hemodiálise.
Errada: o excesso de remoção de volume tende a causar hipotensão intradialítica, e não hipertensão durante a hemodiálise.
- B)a rápida queda da ureia sanguínea pode desencadear desequilíbrio pelo resultante movimento de água para o intracelular cerebral, com cefaleia, náuseas e tonteira.
Certa: a queda rápida da ureia reduz a osmolaridade plasmática e favorece a entrada de água no cérebro, provocando síndrome do desequilíbrio da diálise.
- C)a hemólise decorre pelo resfriamento do sistema ou pela hipertonicidade do dialisato.
Errada: hemólise em hemodiálise pode ocorrer por fatores mecânicos, calor excessivo ou solução inadequada, mas a descrição dada não corresponde ao mecanismo clássico.
- D)a embolia gasosa é comum na sessão de hemodiálise pela falta de equipamentos de segurança.
Errada: embolia gasosa é uma complicação possível, mas não é comum quando há equipamentos e monitorização adequados no sistema de hemodiálise.
- E)a amiloidose pode ocorrer em crianças em programa de hemodiálise pelo uso de membranas biocompatíveis após 2 anos de tratamento.
Errada: a amiloidose relacionada à diálise associa-se sobretudo ao acúmulo de beta-2 microglobulina em tratamentos prolongados, especialmente com membranas menos biocompatíveis, e não ao uso de membranas biocompatíveis após 2 anos.
Gabarito: B
Na hemodiálise, o sangue passa por uma máquina que ajuda a tirar toxinas e excesso de água, mas esse processo não é “de graça”: ele pode trazer efeitos adversos durante a sessão, especialmente quando a ureia cai muito rápido. Em crianças com doença renal crônica terminal, isso merece atenção redobrada porque o cérebro é mais sensível às mudanças bruscas de osmolaridade. O ponto central da questão é a síndrome do desequilíbrio da diálise. Quando a ureia sanguínea diminui rapidamente, a osmolaridade do plasma cai, e a água tende a se deslocar para o interior das células, inclusive as cerebrais. Esse movimento pode causar edema cerebral leve e sintomas como cefaleia, náuseas, vômitos, tontura, irritabilidade e, em casos mais intensos, confusão e convulsões. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela descreve exatamente esse mecanismo fisiopatológico clássico. Não é uma complicação rara “de prova”, é uma daquelas que a banca adora cobrar com a cara de conceito bonito e efeito colateral de máquina. As demais alternativas misturam complicações verdadeiras com mecanismos errados ou fatos desatualizados. Em pediatria e nefrologia, vale decorar o raciocínio: queda rápida da ureia e entrada de água no cérebro = síndrome do desequilíbrio. É o tipo de detalhe que costuma aparecer em questões de hemodiálise e complica quem confunde ultrafiltração, dialisato e osmolaridade.