Sobre o traumatismo de membros e partes moles, assinale a afirmativa correta.
- A)No esmagamento de um membro com suspeita de rabdomiólise, o diagnóstico pode ser feito por presença de mioglobinúria ou por urina de coloração âmbar associada a dosagem sérica de creatinoquinase maior que 10.000U/L.
Certa: mioglobinúria ou urina escura associada a CK muito elevada é compatível com rabdomiólise após esmagamento.
- B)Na suspeita de trauma vascular com instabilidade hemodinâmica, a arteriografia pode ser utilizada para diagnóstico.
Errada: na instabilidade hemodinâmica, a prioridade é tratamento imediato, e não arteriografia como exame diagnóstico inicial.
- C)São achados comuns na síndrome compartimental, a dor desproporcional à lesão, o edema tenso do compartimento e a ausência de pulso distal palpável.
Errada: dor desproporcional e compartimento tenso são típicos, mas a ausência de pulso distal não é achado comum e costuma ser tardio.
- D)Imobilizações com curativo ou gesso apertado não causam síndrome compartimental.
Errada: curativo ou gesso apertado podem, sim, desencadear síndrome compartimental por aumento da pressão local.
- E)Nos casos de deformidade de um membro associados à ausência de pulso distal, o alinhamento e a imobilização do membro não auxiliam no restabelecimento do fluxo sanguíneo.
Errada: o alinhamento e a imobilização podem melhorar a perfusão ao corrigir deformidade e reduzir compressão vascular.
Gabarito: A
No trauma de membros e partes moles, o raciocínio rápido faz diferença, porque algumas complicações não esperam. Entre as principais estão rabdomiólise, lesão vascular e síndrome compartimental, todas potencialmente graves se você perder a hora certa de agir. Em prova, a banca gosta de misturar sinais que parecem óbvios, mas que na prática têm armadilhas clássicas. Na rabdomiólise por esmagamento, a destruição muscular libera mioglobina e creatinoquinase (CK) para a circulação. O diagnóstico pode ser sugerido por mioglobinúria ou por urina escura, tipo âmbar ou cor de coca-cola, junto com CK muito elevada, frequentemente acima de 10.000 U/L nos casos mais intensos. Então a alternativa A está correta porque descreve bem esse cenário laboratorial e clínico. Já a síndrome compartimental costuma dar dor desproporcional à lesão, edema tenso e dor à mobilização passiva, com piora progressiva. A ausência de pulso distal não é um achado comum, e quando aparece geralmente é sinal tardio e preocupante, não o quadro típico inicial. Em outras palavras: pulso presente não exclui síndrome compartimental, e pulso ausente não é o marcador clássico dela. No trauma vascular, se o paciente está instável hemodinamicamente, o foco é controle imediato da hemorragia e atendimento cirúrgico, não exame demorado. E, em deformidades com pulso distal ausente, alinhar e imobilizar pode sim ajudar a restabelecer o fluxo, porque uma redução simples às vezes descomprime ou corrige a tração sobre o vaso.