Nos pacientes portadores de Síndrome de Wolf Parkinson White avaliados por meio do teste ergométrico, assinale, dentre as opções abaixo, aquela que contenha achados que NÃO devem ser valorizados durante o exame.
- A)Surgimento de infradesnível do segmento ST.
Correta: o infradesnível de ST pode ser pseudoisquêmico na WPW e não deve ser interpretado como achado valorizável do teste.
- B)Desaparecimento da pré-excitação no esforço.
Errada: o desaparecimento da pré-excitação no esforço é um achado importante e geralmente sugere menor capacidade de condução da via acessória.
- C)Surgimento de taquicardia supraventricular com QRS estreito.
Errada: taquicardia supraventricular com QRS estreito é uma arritmia típica que pode ocorrer na WPW, especialmente na forma ortodrômica.
- D)Surgimento de taquicardia supraventricular com QRS largo.
Errada: taquicardia supraventricular com QRS largo também pode ocorrer na WPW, como na condução antidrômica ou em ritmos pré-excitados.
- E)Surgimento de fibrilação atrial com QRS largo.
Errada: fibrilação atrial com QRS largo é um achado grave e clássico na WPW, pois pode haver condução rápida pela via acessória.
Gabarito: A
Na síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW), o teste ergométrico ajuda a observar o comportamento da pré-excitação com o aumento da frequência cardíaca. O achado mais importante é ver se a onda delta e o intervalo PR se normalizam com o esforço, porque isso sugere que a via acessória deixa de conduzir em altas frequências, o que costuma ser um dado mais tranquilizador. Também podem aparecer arritmias supraventriculares durante o exame, como taquicardia supraventricular com QRS estreito ou largo, além de fibrilação atrial com QRS largo, especialmente se houver condução pela via acessória. Esses achados são valorizados porque mostram a vulnerabilidade elétrica típica da síndrome e ajudam na estratificação de risco. Já o infradesnível do segmento ST pode ser apenas um efeito da própria pré-excitação, que altera a repolarização ventricular e cria falsos sinais de isquemia no ECG. Em outras palavras: o traçado da WPW pode “imitar” alteração isquêmica sem que isso represente, de fato, doença coronariana. Por isso, nesse contexto, esse achado não deve ser valorizado como sinal patológico do teste. Assim, o gabarito é a alternativa A, pois o infradesnível de ST em pacientes com WPW durante o esforço pode ser um artefato eletrocardiográfico da síndrome, e não um achado clínico confiável do exame.