Os critérios de Beers 2019 nos orientam que
- A)Anti-histaminicos de primeira geração podem ser utilizados com segurança em idosos.
Errada: anti-histamínicos de primeira geração têm forte efeito anticolinérgico e aumentam sedação, delirium e quedas em idosos.
- B)Nitrofurantoína é segura na insuficiência renal.
Errada: nitrofurantoína não é considerada segura em insuficiência renal importante, pois perde eficácia e pode aumentar toxicidade.
- C)Digoxina pode ser utilizada como primeira linha no tratamento da insuficiência cardíaca.
Errada: digoxina não é primeira linha no tratamento da insuficiência cardíaca, ficando reservada a situações específicas.
- D)Amiodarona é primeira linha no controle da fibrilação atrial quando na presença de insuficiência cardíaca.
Certa: na fibrilação atrial com insuficiência cardíaca, a amiodarona é uma opção aceita para controle do ritmo, por ser mais viável do que outras classes antiarrítmicas em muitos idosos.
- E)Antipsicóticos atípicos não aumentam o risco de acidente vascular cerebral em idosos com demência.
Errada: antipsicóticos atípicos aumentam risco de AVC e mortalidade em idosos com demência, além de outros eventos adversos.
Gabarito: D
Os critérios de Beers 2019 servem como um alerta para o uso de medicamentos potencialmente inadequados em idosos. A ideia central não é proibir tudo, mas lembrar que, nessa faixa etária, a margem para efeitos adversos costuma ser menor, então o remédio precisa ter indicação bem justificada. Na prática, várias alternativas da questão trazem afirmações perigosamente sedutoras. Anti-histamínicos de primeira geração, por exemplo, aumentam risco de sedação, confusão, retenção urinária e quedas, então não são considerados seguros para uso rotineiro em idosos. Nitrofurantoína também exige atenção: em insuficiência renal, sua eficácia cai e o risco de toxicidade aumenta. A digoxina não é primeira linha na insuficiência cardíaca, pois hoje o tratamento inicial costuma envolver outras classes com benefício mais consolidado. Já os antipsicóticos atípicos, em idosos com demência, aumentam risco de eventos adversos relevantes, inclusive acidente vascular cerebral e mortalidade, então não são isentos de risco. O ponto que torna o gabarito D correto é que a amiodarona pode ser utilizada como opção de primeira linha no controle do ritmo em fibrilação atrial quando há insuficiência cardíaca, porque muitas alternativas antiarrítmicas clássicas ficam limitadas por depressão da função ventricular ou risco pró-arrítmico. Isso está alinhado com a lógica dos Beers: escolher a droga menos inadequada para aquele idoso específico, e não a mais famosa do arsenal.