Paciente masculino, 31 anos, vítima de colisão de automóvel, transportado por equipe pré-hospitalar com admissão hospitalar em 30 minutos da cena do trauma. Na sala de emergência pam 90 mmhg, fc 80 bpm, fr 14 rpm, sato2 95% escala de coma Glasgow 7 (abertura ocular 2, melhor resposta verbal 1, melhor resposta motora 4) pupilas isocóricas e reativas; reflexo córneo palpebral preservado bilateral. Realizada intubação orotraqueal associada à ventilação mecânica. TC crânio: tce Marshall III. Realizado a monitoração multimodal com integração da pressão intracraniana intraventricular ao Doppler transcraniano. Diante do quadro acima, assinale a afirmativa incorreta.
- A)A monitoração da pressão intracraniana representa mais que um número.
Certa: a PIC deve ser interpretada junto com perfusão cerebral, complacência e quadro clínico, não como valor isolado.
- B)O TCE Marshall III apresenta como fisiopatologia da hipertensão intracraniana o edema e hiperemia cerebral.
Certa: no TCE difuso Marshall III, edema cerebral e hiperemia são mecanismos importantes para hipertensão intracraniana.
- C)A monitoração da PIC Intraventricular auxilia no tratamento da pressão intracraniana através da drenagem de líquor.
Certa: a PIC intraventricular permite drenagem de líquor pela DVE, o que ajuda a reduzir a pressão intracraniana.
- D)O uso da derivação ventricular externa (DVE) de forma intermitente é superior a forma contínua para o controle da pressão intracraniana.
Errada: não há superioridade geral do uso intermitente sobre o contínuo para controle da PIC; isso varia conforme o contexto e o protocolo.
- E)O Doppler transcraniano permite o manuseio da volemia encefálica nos padrões hemodinâmicos de hiperemia cerebral para tratar a hipertensão intracraniana.
Certa: o Doppler transcraniano auxilia na avaliação do fluxo cerebral e na condução hemodinâmica em estados de hiperemia e hipertensão intracraniana.
Gabarito: D
No TCE grave, monitorar a pressão intracraniana (PIC) vai muito além de olhar um número no monitor. A ideia é entender a fisiologia cerebral como um todo: perfusão, complacência, drenagem de líquor, volume sanguíneo cerebral e sinais indiretos de hipertensão intracraniana. Por isso, a monitorização multimodal, como PIC intraventricular associada ao Doppler transcraniano, ajuda a guiar condutas de forma mais inteligente do que tratar apenas a cifra da PIC. A PIC intraventricular, além de medir com boa precisão, também permite drenagem de líquor pela derivação ventricular externa, o que já pode reduzir a pressão intracraniana. O Doppler transcraniano, por sua vez, auxilia na avaliação hemodinâmica cerebral, estimando padrões de fluxo e sugerindo estados como hiperemia, vasoespasmo ou redução de perfusão, o que ajuda no manejo da volemia e da ventilação para controlar a hipertensão intracraniana. No TCE Marshall III, o problema costuma estar ligado a edema cerebral difuso e hiperemia, com elevação da PIC sem lesão expansiva focal dominante. Isso combina com a ideia de tratar a fisiopatologia, não só “abaixar o número”. A alternativa incorreta é a D porque a drenagem ventricular externa em regime intermitente não é, de forma geral, superior ao regime contínuo para controle da PIC. Na prática, a escolha entre intermitente e contínua depende do protocolo do serviço e do objetivo terapêutico, e a literatura não sustenta essa superioridade de modo universal e absoluto.