Paciente de 20 anos com índice de massa corpórea (IMC) de 40, refere rouquidão, tosse seca e pirose retroesternal. Supondo que esses sintomas possam estar associados à doença do refluxo gastro-esofágico, a primeira abordagem deveria
- A)solicitar, imediatamente, esofagomanometria.
Errada: esofagomanometria não é exame inicial para suspeita clínica de DRGE, sendo mais útil em investigação motora ou antes de cirurgias selecionadas.
- B)solicitar endoscopia digestiva alta.
Errada: endoscopia digestiva alta não é a primeira medida em paciente jovem sem sinais de alarme, sendo reservada para casos específicos ou refratariedade.
- C)indicar cirurgia bariátrica /metabólica.
Errada: cirurgia bariátrica/metabólica pode ser opção em obesidade grave, mas não é a abordagem inicial dos sintomas de refluxo.
- D)indicar correção cirúrgica do refluxo gastro-esofágico.
Errada: a correção cirúrgica do refluxo fica para casos refratários, complicados ou bem selecionados, não como primeira conduta.
- E)indicar mudanças comportamentais e dietéticas.
Certa: a primeira abordagem na DRGE suspeita é conservadora, com mudanças comportamentais e dietéticas, especialmente com obesidade como fator de risco.
Gabarito: E
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) costuma começar pelo básico: mexer no que aumenta o refluxo e irrita o esôfago. Em um paciente jovem, obeso, com pirose e sintomas possivelmente extraesofágicos como rouquidão e tosse seca, a primeira conduta não é sair pedindo exame sofisticado nem cirurgia de cara. O começo do tratamento é clínico e comportamental. Na prática, isso significa orientar perda de peso, evitar refeições volumosas e tardias, reduzir álcool, cafeína e alimentos que pioram os sintomas, além de elevar a cabeceira da cama e parar tabagismo, se houver. Em muitos casos, também se associa tratamento farmacológico, mas a questão perguntou a primeira abordagem, e aí a resposta mais correta é a mudança de hábitos. Por que isso faz sentido? Porque a DRGE é muito influenciada por aumento da pressão intra-abdominal e por comportamentos que favorecem o refluxo. Em paciente com IMC 40, o excesso de peso é um fator de risco importante, então a medida inicial mais lógica é atacar a causa que está empurrando o conteúdo gástrico para cima. A cirurgia bariátrica pode até ser considerada em obesidade grave, mas não é a primeira medida para sintomas de refluxo. Nos concursos, vale guardar a lógica clássica: suspeita de DRGE sem sinais de alarme, primeiro tratamento conservador. Endoscopia e outros exames ficam para situações específicas, como falha terapêutica, sinais de alarme ou dúvida diagnóstica. Ou seja: antes de virar detetive com o aparelho, vale arrumar a casa do paciente.