Paciente feminina, 65 anos, hígida, sofreu queda da própria altura, contundindo região cefálica. Após duas semanas do trauma encontrava-se sonolenta, confusa, com fala desconexa. Os exames de análises clínicas não revelaram sinais sugestivos de infecção ou distúrbio metabólico. Não estava em uso de nenhum fármaco que pudéssemos responsabilizar por tais manifestações. A hipótese diagnóstica mais provável é
- A)ataque isquêmico transitório.
Errada, porque ataque isquêmico transitório tem início súbito e resolução completa em até 24 horas, não costuma surgir duas semanas após um trauma com piora progressiva.
- B)metástase cerebral.
Errada, pois metástase cerebral costuma dar quadro progressivo, mas o vínculo temporal com a queda e o trauma craniano aponta muito mais para sangramento subdural.
- C)encefalopatia hepática.
Errada, porque encefalopatia hepática exigiria contexto de doença hepática e alterações metabólicas, que não foram encontradas no caso.
- D)glioblastoma multiforme.
Errada, já que glioblastoma multiforme é tumor primário agressivo, mas não explica tão bem o começo após trauma e a evolução subaguda típica do hematoma subdural.
- E)hematoma subdural.
Certa, pois o hematoma subdural é clássico em idosos após trauma leve, com instalação lenta de sonolência, confusão e alteração da fala dias ou semanas depois.
Gabarito: E
Depois de um trauma craniano aparentemente pequeno, especialmente em idoso, sempre vale pensar no hematoma subdural. O ponto-chave é a evolução lenta: o sangramento venoso, por ruptura de veias ponte, pode demorar dias ou semanas para dar sintomas, então a pessoa parece bem no começo e depois passa a ficar sonolenta, confusa e com rebaixamento do nível de consciência. Na prática, isso é bem típico de queda da própria altura com piora progressiva depois de um intervalo livre. Não precisa haver febre, alteração metabólica ou uso de remédios explicando o quadro. O cérebro vai sendo comprimido aos poucos pelo sangue acumulado, o que ajuda a entender a mudança comportamental e a fala desconexa. Por isso, a hipótese mais provável é hematoma subdural. Em prova, a banca adora esse detalhe temporal: trauma leve + idoso + sintomas que aparecem depois de um intervalo de dias ou semanas = pense em sangramento subdural até prova em contrário. O raciocínio é mais importante que decorar o nome bonito. Se fosse algo como AVC isquêmico transitório, os sintomas seriam súbitos e regridiriam em até 24 horas. Aqui, o enredo é outro: piora progressiva após trauma, com quadro de compressão intracraniana, bem a cara do subdural.