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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Jovem de 15 anos apresenta, desde os 8 anos de idade, crises de dor abdominal, febre, dor torácica, mialgias difusas, além de manchas vermelhas pelo corpo, edema periorbitário e conjuntivite, que duram de uma a três semanas e melhoram espontaneamente ou com o uso de corticoterapia. Assinale a opção que indica o diagnóstico mais provável e o exame que confirmaria este diagnóstico, respectivamente.

Gabarito: B

A chave da questão está em reconhecer uma síndrome autoinflamatória com crises recorrentes desde a infância, febre, dor abdominal e torácica, mialgias, exantema e edema periorbitário, com duração prolongada de vários dias a semanas. Esse conjunto aponta mais para a síndrome periódica associada ao receptor do TNF alfa (TRAPS), que costuma ter crises mais longas do que outras síndromes periódicas e pode melhorar com corticoterapia, o que combina bem com o enunciado. Na TRAPS, o defeito está no gene TNFRSF1A, que codifica o receptor do TNF alfa. A confirmação é feita por pesquisa de mutação nesse gene. Em prova, isso é muito cobrado porque a clínica se sobrepõe a outras febres periódicas, então o detalhe da duração das crises e o edema periorbitário ajudam bastante na separação. Agora, compare com os rivais clássicos: a febre familiar do Mediterrâneo tende a ter crises mais curtas, geralmente de 1 a 3 dias, e a deficiência de mevalonato quinase costuma vir com episódios febris associados a linfonodos, diarreia e aftas, além de início bem precoce. Já CAPS e Muckle-Wells costumam ter urticária, surdez neurossensorial e quadro mais ligado à criopirina, isto é, NLRP3. Resumo de prova: crise longa, dor abdominal e torácica, mialgia, rash e edema periorbitário pensam em TRAPS. O gabarito B está correto porque junta o fenótipo clínico típico com o teste confirmatório certo, que é a mutação em TNFRSF1A.

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