Mulher, 18 anos, portadora de anemia falciforme, com crises frequentes de dor óssea e anemia, chega à emergência com dor abdominal e icterícia. A ultrassonografia de abdome sugere vesícula biliar repleta de cálculos e pequeno cálculo em colédoco. Assinale a opção que indica o provável diagnóstico.
- A)Provável cálculo de lecitina, de coloração escura.
Errada, porque lecitina não é o tipo clássico de cálculo associado à anemia hemolítica.
- B)Provável cálculo de fosfolipídios de coloração clara.
Errada, porque fosfolipídios não correspondem ao padrão de cálculo biliar esperado nesse contexto.
- C)Provável cálculo de sais biliares de forma cristaloide.
Errada, porque sais biliares em forma cristaloide não são a classificação usual dos cálculos relacionados à hemólise crônica.
- D)Provável cálculo de pigmento biliar de cor marrom.
Certa, porque a hemólise da anemia falciforme favorece cálculos pigmentares biliares, frequentemente marrons, inclusive no colédoco.
- E)Provável cálculo de colesterol de cor brancacenta.
Errada, porque cálculos de colesterol são mais ligados à supersaturação de colesterol na bile, e não à hemólise.
Gabarito: D
Na anemia falciforme, a hemólise crônica aumenta a produção de bilirrubina não conjugada, que vai parar na bile em excesso. Com o tempo, isso favorece a formação de cálculos pigmentares, especialmente os de pigmento biliar, que podem aparecer na vesícula e também migrar para o colédoco, como no caso descrito. É aquele clássico da vida real: o sangue quebra demais, a bile fica mais carregada de pigmento e a vesícula cobra a conta. Esses cálculos pigmentares são mais associados a hemólise crônica, infecção biliar e estase, e costumam ser escuros. Já os cálculos de colesterol são os mais comuns na população geral, mas não são a cara da hemólise. Em prova, a pista mais valiosa é sempre essa tríade: doença hemolítica + icterícia + cálculo biliar. No enunciado, a ultrassonografia mostrou vesícula cheia de cálculos e um pequeno cálculo no colédoco, o que sugere coledocolitíase por cálculo pigmentário. Na prática, isso explica a dor abdominal e a icterícia da paciente. Portanto, o provável diagnóstico é de cálculo de pigmento biliar, de cor marrom. Como regra de ouro para concursos: anemias hemolíticas hereditárias, como a falciforme, aumentam a chance de cálculos pigmentares. Não há um fundamento legal aqui, mas o fundamento doutrinário clássico de gastroenterologia é justamente esse: hemólise crônica leva a excesso de bilirrubina e formação de cálculos pigmentares.