Mulher de 44 anos, não tabagista, apresenta quadro de dispneia aos esforços. Tomografia de tórax revela doença cística difusa. Em relação ao possível diagnóstico, assinale a afirmativa correta.
- A)Histiocitose de células de Langerhans.
Errada, porque a histiocitose de células de Langerhans costuma ocorrer em fumantes e tem outro padrão radiológico, com nódulos e cistos predominando em lobos superiores.
- B)Fibrose cística.
Errada, porque a fibrose cística geralmente começa na infância ou adolescência e não é a causa clássica de doença cística difusa em mulher adulta.
- C)Enfisema pulmonar.
Errada, porque o enfisema produz áreas de hiperinsuflação e destruição alveolar, mas não o padrão típico de múltiplos cistos finos difusos da questão.
- D)Linfangioleiomiomatose.
Certa, porque a linfangioleiomiomatose acomete principalmente mulheres em idade fértil e causa doença cística difusa na tomografia.
- E)Pneumonia por Pneumocystii Jiroveci.
Errada, porque pneumonia por Pneumocystis jirovecii costuma causar infiltrado em vidro fosco, especialmente em imunossuprimidos, e não doença cística difusa como achado principal.
Gabarito: D
Quando a tomografia mostra doença cística difusa em uma mulher adulta, não tabagista, o raciocínio mais importante é pensar em linfangioleiomiomatose (LAM). Essa doença é uma causa clássica de múltiplos cistos pulmonares finos e uniformes, predominando em mulheres em idade fértil, com dispneia aos esforços, pneumotórax recorrente e, às vezes, quilotórax. A TC costuma trazer justamente esse padrão espalhado pelo pulmão todo, o que ajuda muito na prova. A LAM é uma doença rara, de proliferação anormal de células musculares lisas associada à via mTOR, podendo ser esporádica ou ligada à esclerose tuberosa. O ponto-chave é que ela aparece em mulheres, frequentemente sem história de tabagismo, e se manifesta com sintomas respiratórios progressivos por obstrução e destruição do parênquima pulmonar. Por isso, o gabarito é a letra D. A combinação mulher + dispneia + tomografia com doença cística difusa é praticamente a senha para lembrar LAM. Em prova, esse tipo de detalhe costuma valer ouro: não basta ver cistos no pulmão, é preciso olhar o perfil do paciente e o padrão tomográfico. As demais alternativas tentam confundir com doenças pulmonares conhecidas, mas não batem com o quadro típico de cistos difusos em mulher adulta não tabagista. Aqui, a cara da questão é de radiologia associada à clínica, aquele casamento que a banca adora.