Assinale a opção que contém situação clínica em que está indicada a antibioticoterapia profilática.
- A)Realização de dilatação pneumática da cárdia em paciente com artroplastia total de quadril.
Errada, porque dilatação pneumática da cárdia não é indicação rotineira de antibioticoprofilaxia, mesmo em paciente com prótese ortopédica.
- B)Biópsia por agulha fina ecoguiada de lesão sólida no trato digestivo alto.
Errada, pois biópsia por agulha fina ecoguiada no trato digestivo alto não exige, em regra, antibioticoterapia profilática.
- C)Realização de CPER com extração de coledocolitíase e sucesso na drenagem da via biliar.
Errada, já que a CPER com extração e drenagem biliar bem-sucedida não configura, por si só, indicação clássica de profilaxia antibiótica.
- D)Realização de gastrostomia endoscópica percutânea em paciente com acidente vascular encefálico.
Certa, porque a gastrostomia endoscópica percutânea é procedimento com indicação clássica de antibioticoprofilaxia para reduzir infecção do sítio de gastrostomia.
- E)Realização de mucosectomia de cólon em paciente com prótese aórtica.
Errada, porque mucosectomia de cólon não exige profilaxia antibiótica apenas pela presença de prótese aórtica.
Gabarito: D
A antibioticoterapia profilática em gastroenterologia não é rotina para todo procedimento endoscópico: ela aparece em situações bem específicas, quando o risco de infecção supera o benefício de simplesmente observar. Em geral, a ideia é prevenir infecções de sítio, bacteremia relevante ou complicações em pacientes mais vulneráveis e em procedimentos mais invasivos. A grande armadilha da prova é achar que qualquer endoscopia com manipulação merece antibiótico. Nem sempre. Procedimentos como biópsias, dilatações e CPER só pedem profilaxia em cenários muito particulares, ligados a obstrução biliar, impossibilidade de drenagem adequada, imunossupressão ou risco aumentado de bacteremia clinicamente relevante. No caso da gastrostomia endoscópica percutânea, a profilaxia antibiótica é clássica e recomendada porque o procedimento atravessa parede abdominal e gástrica, com risco de contaminação da pele e do trajeto da sonda. A prática é consagrada em diretrizes de endoscopia e é cobrada em prova como indicação típica de antibiótico profilático. Por isso, o gabarito é a letra D. Em um paciente com AVC, a PEG costuma ser indicada para nutrição enteral de longa duração, e a antibioticoprofilaxia reduz complicações infecciosas locais, especialmente infecção do estoma. É o tipo de detalhe que a banca adora: você pensa na sonda, mas ela quer o antibiótico junto.