Sobre as características das intoxicações graves por etilenoglicol, avalie os itens a seguir. I. Presença de acidose metabólica de ânion gap aumentado. II. Aumento do “gap osmolar”, III. Insuficiência renal e presença de cristais de oxalato de cálcio no exame de urina. IV. Alterações neurológicas, como coma e neuropatias Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III, apenas
Errada, porque os itens IV também é característico das intoxicações graves por etilenoglicol.
- B)I, II e IV, apenas
Errada, porque o item III também é verdadeiro, já que há lesão renal e cristais de oxalato de cálcio na urina.
- C)I, III e IV, apenas
Errada, porque o item II também é típico, com aumento do gap osmolar no início da intoxicação.
- D)II, III e IV, apenas
Errada, porque o item I também ocorre, com acidose metabólica de ânion gap aumentado.
- E)I, II, III e IV.
Certa, porque todas as manifestações listadas são compatíveis com intoxicação grave por etilenoglicol.
Gabarito: E
As intoxicações por etilenoglicol são clássicas porque evoluem em “fases” bem marcadas. No início, o álcool em si aumenta o gap osmolar, já que está circulando no sangue antes de ser metabolizado. Depois, seus metabólitos ácidos, especialmente o ácido glicólico e o oxálico, levam a acidose metabólica com ânion gap aumentado. Então, I e II caminham juntas e são sinais bem típicos do quadro grave. Na sequência, o rim entra na história de forma dolorosa: o oxalato de cálcio pode precipitar nos túbulos, aparecendo cristais na urina e causando insuficiência renal aguda. É por isso que a urina e a função renal merecem atenção máxima nessa intoxicação. Esse é o item III, que também está correto. O sistema nervoso central também sofre. O paciente pode apresentar embriaguez, ataxia, rebaixamento do nível de consciência, coma e até neuropatias. Ou seja, o item IV também faz parte do quadro grave. Por isso, o gabarito é a letra E: todos os itens estão corretos. Em prova, pense no etilenoglicol como um “combo” ruim: primeiro gap osmolar alto, depois acidose com ânion gap aumentado, e por fim lesão renal com cristais de oxalato de cálcio e manifestações neurológicas. É uma intoxicação que exige diagnóstico rápido e tratamento imediato, com fomepizol ou etanol, além de suporte e, em casos graves, hemodiálise.