Criança de 3 anos com linfonodomegalia cervical única de 2,5 cm de diâmetro há 3 semanas, de consistência fibroelástica, ligeiramente quente e dolorosa, não aderida aos planos profundos, sem história de febre ou sinais sistêmicos no período e sem outras alterações ao exame físico. Fez uso de cefalexina por 7 dias, seguido de sulfametoxazol + trimetoprim por 7 dias, sem melhora. A criança tem contato com gato filhote da vizinha. Nega contato com tuberculose. No momento a criança encontra-se em bom estado geral, sem outros sintomas. Em relação à conduta a ser tomada para esse caso, nesse momento, assinale a afirmativa correta.
- A)Internação hospitalar para antibioticoterapia venosa.
Errada, porque não há sinais de gravidade ou infecção bacteriana sistêmica que justifiquem internação e antibiótico venoso.
- B)Solicitar de PPD, radiografia simples de tórax e coleta de lavado gástrico para pesquisa de BAAR e geneXpert.
Errada, porque o quadro não sugere tuberculose ganglionar: não há contato, sintomas sistêmicos nem padrão clínico típico.
- C)Solicitar coleta de hemograma, provas de doença inflamatória e aspirado de medula óssea.
Errada, porque não há suspeita de neoplasia hematológica ou doença sistêmica que justifique esse painel inicial tão amplo.
- D)Solicitar sorologia para Bartonela hanselae e avaliar necessidade de antibioticoterapia.
Certa, pois o contato com gato e a linfonodomegalia regional isolada apontam para Bartonella henselae, devendo-se solicitar sorologia e reavaliar tratamento.
- E)Biópsia do linfonodo para exame histopatológico.
Errada, porque biópsia de linfonodo é reservada para casos atípicos, persistentes sem diagnóstico ou com suspeita de malignidade, e não como primeiro passo aqui.
Gabarito: D
Em criança com linfonodo cervical isolado, doloroso ou discretamente inflamatório, sem febre, sem sinais sistêmicos e com contato com gato, a causa clássica a lembrar é a linfadenite por Bartonella henselae, a chamada arranhadura do gato. O quadro costuma ser bem comportado, com adenomegalia regional única, e muitas vezes o diagnóstico é clínico-epidemiológico, apoiado por sorologia quando necessário. Aqui, a história fala muito mais alto que um laboratório cheio de exames. A falta de resposta aos antibióticos usuais também afasta bastante uma adenite bacteriana comum, e a criança está em bom estado geral, sem sinais de alarme. Nessas situações, não se parte direto para internação, nem para investigação de tuberculose ou biópsia de saída. A conduta adequada é solicitar sorologia para Bartonella henselae e, a partir do resultado e da evolução clínica, avaliar a necessidade de antibioticoterapia. Em muitos casos há melhora espontânea, mas macrolídeos podem ser considerados quando há sintomas mais importantes ou adenite persistente. A ideia é não sair atirando com exames invasivos quando a pista epidemiológica está praticamente piscando na sua frente.