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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Criança de 3 anos com linfonodomegalia cervical única de 2,5 cm de diâmetro há 3 semanas, de consistência fibroelástica, ligeiramente quente e dolorosa, não aderida aos planos profundos, sem história de febre ou sinais sistêmicos no período e sem outras alterações ao exame físico. Fez uso de cefalexina por 7 dias, seguido de sulfametoxazol + trimetoprim por 7 dias, sem melhora. A criança tem contato com gato filhote da vizinha. Nega contato com tuberculose. No momento a criança encontra-se em bom estado geral, sem outros sintomas. Em relação à conduta a ser tomada para esse caso, nesse momento, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: D

Em criança com linfonodo cervical isolado, doloroso ou discretamente inflamatório, sem febre, sem sinais sistêmicos e com contato com gato, a causa clássica a lembrar é a linfadenite por Bartonella henselae, a chamada arranhadura do gato. O quadro costuma ser bem comportado, com adenomegalia regional única, e muitas vezes o diagnóstico é clínico-epidemiológico, apoiado por sorologia quando necessário. Aqui, a história fala muito mais alto que um laboratório cheio de exames. A falta de resposta aos antibióticos usuais também afasta bastante uma adenite bacteriana comum, e a criança está em bom estado geral, sem sinais de alarme. Nessas situações, não se parte direto para internação, nem para investigação de tuberculose ou biópsia de saída. A conduta adequada é solicitar sorologia para Bartonella henselae e, a partir do resultado e da evolução clínica, avaliar a necessidade de antibioticoterapia. Em muitos casos há melhora espontânea, mas macrolídeos podem ser considerados quando há sintomas mais importantes ou adenite persistente. A ideia é não sair atirando com exames invasivos quando a pista epidemiológica está praticamente piscando na sua frente.

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