Sobre o uso de oxigênio na sala de parto de recém-nascidos a termo, assinale a afirmativa correta.
- A)Todos os recém-nascidos saudáveis devem apresentar cor rosada no terceiro minuto de vida.
Errada: o recém-nascido saudável não precisa estar rosado no terceiro minuto, porque a transição da saturação é gradual nos primeiros minutos de vida.
- B)O procedimento de reanimação deve ser iniciado com oxigênio a 100 %, que deve ser reduzido seguindo a saturação do recém-nascido.
Errada: iniciar com 100% de oxigênio aumenta risco de hiperóxia e não é a conduta para o recém-nascido a termo.
- C)O nível de saturação do feto saudável intra-útero é de cerca de 35 % e, por isto, é melhor começar a reanimar com 35% de oxigênio.
Errada: a saturação fetal intraútero é baixa, mas isso não justifica começar reanimação com 35% de oxigênio.
- D)Hiperoxia traz mais benefícios que prejuízos e, por isto, deve ser praticada.
Errada: hiperóxia não traz mais benefícios que prejuízos, pois pode causar dano oxidativo e deve ser evitada.
- E)A reanimação deve ser iniciada com 21% de FiO2 e a concentração de oxigênio é aumentada, dependendo da saturação de Hb.
Certa: no recém-nascido a termo, a reanimação deve começar com 21% de FiO2 e o oxigênio é aumentado conforme a saturação e a necessidade clínica.
Gabarito: E
Na sala de parto, o recém-nascido a termo não deve começar a reanimação “tomando banho de oxigênio”. A conduta atual privilegia oxigênio em ar ambiente, ou seja, FiO2 de 21%, porque o excesso de oxigênio pode causar hiperóxia e estresse oxidativo, especialmente no cérebro e nos pulmões em adaptação. Em neonatologia, a regra é começar com o mínimo necessário e ajustar conforme a resposta do bebê, não o contrário. Por isso, quando o recém-nascido precisa de ventilação/apoio inicial, a recomendação para o termo é iniciar com 21% de FiO2 e depois aumentar a fração inspirada de oxigênio se a saturação estiver abaixo do esperado para a faixa etária de vida. O ajuste é guiado pela oximetria de pulso pré-ductal, observando a curva fisiológica de subida gradual da saturação nos primeiros minutos. A lógica é simples: ao nascer, o bebê sai de um ambiente com oxigenação fetal menor e vai se adaptando progressivamente. Não faz sentido exigir saturação rosada imediata nem começar com 100% de oxigênio. A oxigenoterapia deve ser titulada conforme a saturação de hemoglobina e o quadro clínico, sempre com cuidado para evitar tanto hipóxia quanto hiperóxia. Assim, o gabarito está correto porque a reanimação do recém-nascido a termo deve começar com 21% de FiO2 e a concentração de oxigênio deve ser aumentada se necessário, conforme a saturação monitorada. Esse é o padrão recomendado em diretrizes de reanimação neonatal, como as da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Neonatal Resuscitation Program.