Sobre as complicações pós-operatórias, assinale a afirmativa correta.
- A)A atelectasia é causa de febre no pós-operatório tardio.
Errada, porque atelectasia é causa clássica de febre precoce no pós-operatório, não de febre tardia.
- B)A pneumonia não é uma das causas de íleo paralítico.
Errada, porque pneumonia pode contribuir para íleo paralítico ao piorar o estado inflamatório e sistêmico do paciente.
- C)A idade avançada não contribui para a deficiência de cicatrização de uma ferida.
Errada, porque a idade avançada é fator que desfavorece a cicatrização, junto com comorbidades e menor reserva fisiológica.
- D)A infecção é considerada do sítio cirúrgico caso ela ocorra em até 1 ano quando se utiliza prótese.
Certa, porque a infecção do sítio cirúrgico pode ser reconhecida até 1 ano quando há prótese/implante, se relacionada ao ato operatório.
- E)A deambulação precoce libera trombos dos membros inferiores causando tromboembolismo pulmonar.
Errada, porque a deambulação precoce previne trombose venosa e tromboembolismo pulmonar, em vez de causá-los.
Gabarito: D
As complicações pós-operatórias costumam ser cobradas em blocos clássicos: febre, pulmão, trombose, ferida operatória e íleo. O jeito mais seguro de acertar é lembrar que nem toda febre vem da ferida, nem todo trombo sai porque o paciente andou, e nem toda infecção tem o mesmo prazo de “prazo de validade”. No pós-operatório, a febre precoce costuma se relacionar mais com atelectasia e resposta inflamatória inicial, enquanto a febre tardia faz pensar mais em pneumonia, infecção urinária, ferida operatória e outras causas infecciosas. Então a alternativa que fala em atelectasia como causa de febre tardia está invertendo a cronologia. A pneumonia pode, sim, estar associada a íleo paralítico, porque infecções e alterações sistêmicas no pós-operatório podem reduzir a motilidade intestinal. Já a idade avançada contribui, sim, para pior cicatrização, porque idosos tendem a ter menor reserva fisiológica, maior frequência de comorbidades e resposta reparadora menos eficiente. Ou seja: o corpo não está exatamente “em modo turbo” nessa fase. Quanto ao sítio cirúrgico, a regra clássica ensinada em cirurgia e controle de infecção é: a infecção do sítio cirúrgico pode ser considerada em até 30 dias após a operação, ou até 1 ano se houver implante/prótese, desde que exista relação com o procedimento. Isso é o que torna a letra D correta. Essa noção é compatível com critérios usados em controle de infecção hospitalar, como os adotados pela ANVISA e pelos sistemas de vigilância de infecção do sítio cirúrgico. Por fim, deambulação precoce é aliada, não vilã: ela reduz estase venosa, ajuda a prevenir trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar. A lógica da cirurgia é simples aqui: mexer o paciente cedo costuma prevenir complicação, não provocá-la.