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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Sobre as complicações pós-operatórias, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: D

As complicações pós-operatórias costumam ser cobradas em blocos clássicos: febre, pulmão, trombose, ferida operatória e íleo. O jeito mais seguro de acertar é lembrar que nem toda febre vem da ferida, nem todo trombo sai porque o paciente andou, e nem toda infecção tem o mesmo prazo de “prazo de validade”. No pós-operatório, a febre precoce costuma se relacionar mais com atelectasia e resposta inflamatória inicial, enquanto a febre tardia faz pensar mais em pneumonia, infecção urinária, ferida operatória e outras causas infecciosas. Então a alternativa que fala em atelectasia como causa de febre tardia está invertendo a cronologia. A pneumonia pode, sim, estar associada a íleo paralítico, porque infecções e alterações sistêmicas no pós-operatório podem reduzir a motilidade intestinal. Já a idade avançada contribui, sim, para pior cicatrização, porque idosos tendem a ter menor reserva fisiológica, maior frequência de comorbidades e resposta reparadora menos eficiente. Ou seja: o corpo não está exatamente “em modo turbo” nessa fase. Quanto ao sítio cirúrgico, a regra clássica ensinada em cirurgia e controle de infecção é: a infecção do sítio cirúrgico pode ser considerada em até 30 dias após a operação, ou até 1 ano se houver implante/prótese, desde que exista relação com o procedimento. Isso é o que torna a letra D correta. Essa noção é compatível com critérios usados em controle de infecção hospitalar, como os adotados pela ANVISA e pelos sistemas de vigilância de infecção do sítio cirúrgico. Por fim, deambulação precoce é aliada, não vilã: ela reduz estase venosa, ajuda a prevenir trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar. A lógica da cirurgia é simples aqui: mexer o paciente cedo costuma prevenir complicação, não provocá-la.

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