Com relação ao transplante cardíaco, a avaliação pré-operatória é fundamental para o bom resultado do tratamento cirúrgico. Dentre as condições abaixo, assinale a que é considerada contraindicação absoluta ao transplante.
- A)Idade do receptor superior a 60 anos.
Errada: idade acima de 60 anos, isoladamente, não é contraindicação absoluta ao transplante cardíaco, pois a decisão depende do estado funcional e das comorbidades.
- B)Hipertensão artéria sistêmica de difícil controle.
Errada: hipertensão sistêmica de difícil controle preocupa, mas é um fator de risco/contraindicação relativa, não uma proibição absoluta por si só.
- C)História clínica de úlcera péptica.
Errada: história de úlcera péptica não é contraindicação absoluta; o que importa é o controle do problema e o risco de sangramento sob imunossupressão.
- D)Diabetes Mellitus em uso de hipoglicemiante oral.
Errada: diabetes em uso de hipoglicemiante oral não impede o transplante automaticamente, desde que haja controle glicêmico e avaliação global adequada.
- E)Hipertensão arterial pulmonar fixa, que não responde a agentes farmacológicos.
Certa: hipertensão arterial pulmonar fixa e não responsiva a fármacos é contraindicação absoluta, porque o ventrículo direito do enxerto pode falhar diante da resistência pulmonar elevada.
Gabarito: E
No transplante cardíaco, a seleção do receptor é quase tão importante quanto a cirurgia em si. A ideia é simples: colocar um novo coração em alguém que tenha condições de receber bem esse órgão e de não morrer por outro problema logo depois. Por isso, a avaliação pré-operatória é caprichada e procura doenças que aumentem muito o risco de falha do transplante ou de sobrevida ruim. Entre as contraindicações absolutas, a mais clássica é a hipertensão arterial pulmonar fixa e irreversível, que não responde a tratamento farmacológico. Isso acontece porque o coração transplantado, especialmente o ventrículo direito, pode não suportar a resistência vascular pulmonar elevada, levando a falência aguda do enxerto. Em outras palavras: é como trocar o motor, mas manter o cano entupido - o sistema novo sofre na hora. Esse ponto é bem cobrado em cardiologia: a hipertensão pulmonar é testada na avaliação hemodinâmica e, se houver reversibilidade com vasodilatadores, o cenário muda; se for fixa, a contraindicação é absoluta. Já idade avançada, hipertensão sistêmica, úlcera péptica e diabetes entram mais como fatores de risco ou contraindicações relativas, dependendo do controle e do contexto clínico. Então, para a questão, a resposta correta é a hipertensão arterial pulmonar fixa, sem resposta a agentes farmacológicos, porque ela inviabiliza a adaptação do coração transplantado e compromete gravemente o prognóstico imediato e tardio.