O tratamento de base da maioria das imunodeficiências primárias consiste na reposição de imunoglobulinas do tipo IgG. A respeito deste tipo de tratamento, assinale a afirmativa correta.
- A)Ainda não há evidências que permitam a reposição de imunoglobulina por via subcutânea, sendo sempre preferível a via intravenosa.
Errada, porque a via subcutânea tem evidências e é amplamente usada, não sendo verdade que a via intravenosa seja sempre preferível.
- B)A inclusão de pacientes com Imunodeficiência primária em programas de reposição crônica de imunoglobulinas é mandatória em todos os casos em que a dosagem de IgG estiver abaixo de 1.000 mg/dL.
Errada, porque IgG baixa isolada não define sozinha a necessidade de reposição crônica; a indicação depende do tipo de imunodeficiência e do quadro clínico.
- C)A dose e o intervalo iniciais, em um paciente com imunodeficiência primária recém-incluído em programa de reposição de IgG, é de 1 g/Kg de peso, a cada três semanas.
Errada, porque a dose inicial usual não é fixada como 1 g/kg a cada três semanas, já que a reposição é individualizada e costuma seguir esquemas menores e regulares.
- D)Meningite asséptica e insuficiência renal aguda são complicações frequentes da terapia de reposição com IgG.
Errada, porque meningite asséptica e insuficiência renal aguda são eventos reconhecidos, mas não são complicações frequentes da terapia.
- E)O objetivo do tratamento é manter a dosagem de imunoglobulina G (IgG) em pelo menos 500 mg/dL, em amostra de sangue coletada imediatamente antes da infusão.
Certa, porque o objetivo é manter o nível de IgG antes da infusão em patamar protetor, com referência mínima em torno de 500 mg/dL.
Gabarito: E
A reposição de imunoglobulina G (IgG) é uma das bases do tratamento das imunodeficiências primárias com defeito de produção de anticorpos. A ideia é simples: se o paciente não consegue fabricar anticorpos funcionais em quantidade suficiente, voce “empresta” imunoglobulina pronta para reduzir infecções e melhorar a qualidade de vida. Esse tratamento pode ser feito por via intravenosa ou subcutânea, e a escolha depende do perfil do paciente, da tolerância e da logística. A via subcutânea, aliás, já tem evidência consolidada e costuma ser muito útil para manter níveis mais estáveis e evitar algumas reações sistêmicas. Na prática, o ajuste da dose não é feito por um número mágico isolado no começo, mas por resposta clínica e por controle laboratorial. O objetivo é manter o vale de IgG, isto é, a dosagem colhida imediatamente antes da próxima infusão, em um nível protetor. Em geral, valores ao menos em torno de 500 mg/dL são usados como referência mínima, embora muitos pacientes precisem de metas maiores para ficar bem protegidos. Por isso a alternativa correta é a E. Ela traduz o conceito de trough level, que é justamente a amostra de sangue feita antes da infusão, quando a concentração está no ponto mais baixo do ciclo. A lógica do tratamento é manter esse nível suficiente para prevenir infecções, não apenas “normalizar” o exame no papel.