Praticante de Parkour sofre queda de laje com cerca de 3 metros de altura, traumatizando ambos os calcanhares. Levado à emergência não apresentava feridas, porém os calcanhares estavam edemaciados e extremamente dolorosos na palpação. Foram realizadas radiografias do retropé e tomografia computadorizada, identificando fratura do calcâneo em ambos os pés. Em relação a este quadro clínico, assinale a afirmativa correta.
- A)A tomografia computadorizada é dispensável na avaliação e prognóstico do tratamento.
Errada, porque a tomografia computadorizada é muito importante na avaliação da fratura do calcâneo, especialmente para definir acometimento articular e prognóstico.
- B)As fraturas articulares são menos frequentes que as extraarticulares.
Errada, porque as fraturas articulares do calcâneo são mais frequentes do que as extra-articulares.
- C)As fraturas de calcâneo têm bom prognóstico, independentemente do tratamento.
Errada, porque fraturas de calcâneo não têm bom prognóstico de forma geral, e o desfecho depende muito do tipo de fratura e do comprometimento articular.
- D)As fraturas articulares têm prognóstico melhor que as extraarticulares.
Errada, porque as fraturas articulares costumam ter pior prognóstico que as extra-articulares.
- E)As fraturas extra-articulares têm prognóstico melhor que as articulares.
Certa, porque as fraturas extra-articulares preservam a articulação e, em geral, têm evolução funcional melhor que as fraturas articulares.
Gabarito: E
A fratura do calcâneo costuma acontecer em quedas de altura, como neste caso, e o paciente geralmente chega com dor intensa, edema e grande dificuldade de apoio. O primeiro passo é a radiografia, mas a tomografia computadorizada faz muita diferença porque mostra melhor o traço da fratura, o comprometimento articular e ajuda a planejar o tratamento. Em ortopedia, no calcâneo, imagem bem feita vale ouro: sem ela, voce pode subestimar a lesão. O ponto-chave da questão é comparar fraturas articulares e extra-articulares. As articulares, especialmente as que atingem a subtalar, costumam ter pior evolução porque mexem com a superfície de carga e com a congruência articular. Isso aumenta o risco de dor crônica, rigidez, artrose subtalar e limitação funcional. Já as extra-articulares, em geral, preservam a articulação e tendem a evoluir melhor. Por isso, o gabarito é a letra E: as fraturas extra-articulares têm prognóstico melhor que as articulares. Em prova, pense assim: quanto mais a fratura “entra” na articulação, mais complicada fica a vida do calcâneo e do paciente. É a velha regra ortopédica: osso quebrado já incomoda, mas articulação comprometida incomoda em dobro. Doutrinariamente, a tomografia é considerada exame fundamental na avaliação das fraturas do calcâneo, tanto para classificação quanto para decisão terapêutica. Isso ajuda a entender por que a alternativa que dispensa a TC está errada e por que a avaliação prognóstica depende justamente desse detalhamento.