A doença renal crônica é uma doença sistêmica responsável pelo desequilíbrio mineral e ósseo com anormalidades no metabolismo de cálcio, fosforo, paratormônio (PTH) e vitamina D, resultando na osteodistrofia renal. Em relação ao manejo deste distúrbio, assinale a afirmativa correta.
- A)O uso de sais de cálcio por via oral serve primordialmente para correção da hipocalcemia.
Errada: sais de cálcio por via oral são usados principalmente como quelantes de fósforo, não primordialmente para corrigir hipocalcemia.
- B)O uso de acetato de cálcio apresenta maior capacidade de ligação com o fósforo, com maior incidência de hipercalcemia.
Errada: o acetato de cálcio quelante o fósforo, mas a afirmação exagera ao atribuir maior capacidade de ligação e maior hipercalcemia como regra geral.
- C)O uso de alumínio é recomendado no tratamento da hiperfosfatemia em crianças.
Errada: compostos de alumínio não são recomendados, sobretudo em crianças, pelo risco de toxicidade e acúmulo tecidual.
- D)O sevelamer ao ser absorvido pelo trato digestivo pode levar ao deposito tecidual, reduzindo os níveis de cálcio e fósforo séricos.
Errada: o sevelamer não é absorvido pelo trato digestivo e não causa depósito tecidual; ele age ligando fósforo no intestino.
- E)A utilização de calcitriol possui efeito no aumento da absorção de cálcio intestinal e na redução dos níveis de PTH.
Certa: o calcitriol aumenta a absorção intestinal de cálcio e reduz a secreção de PTH, sendo útil no hiperparatireoidismo secundário da DRC.
Gabarito: E
Na doença renal crônica, o rim perde a capacidade de excretar fósforo e de ativar a vitamina D, o que bagunça o eixo cálcio-fósforo-PTH. O resultado clássico é hiperfosfatemia, queda do calcitriol, hipocalcemia relativa e aumento do PTH, que tenta compensar essa desordem. Se isso persiste, aparece a osteodistrofia renal, com alterações ósseas e risco cardiovascular maior por calcificação vascular. No manejo, a lógica é simples: reduzir a carga de fósforo, corrigir a deficiência de vitamina D ativa e controlar o hiperparatireoidismo secundário. Aqui entra o calcitriol, que é a forma ativa da vitamina D, capaz de aumentar a absorção intestinal de cálcio e também reduzir a secreção de PTH. Em outras palavras, ele ajuda a frear a cascata que alimenta a doença mineral e óssea da DRC. A banca costuma cobrar exatamente essa relação fisiológica: menos função renal, menos calcitriol e mais PTH. Então, quando o enunciado fala em tratamento do distúrbio mineral da DRC, pense no objetivo de melhorar a absorção de cálcio e suprimir o PTH, sem esquecer que o uso de vitamina D ativa exige vigilância para não piorar hipercalcemia ou hiperfosfatemia. Por isso, o gabarito é a alternativa que descreve corretamente o efeito do calcitriol. Ela traduz o mecanismo mais cobrado em nefrologia: repor a vitamina D ativa para ajudar no controle do hiperparatireoidismo secundário e da osteodistrofia renal.