Um folheto de propaganda de um laboratório afirma que: “Foram tradados com o medicamento X, 3.000 pacientes com amigdalites. Em 5 dias, 95% estavam assintomáticos, mostrando sua elevada eficácia”. A afirmação
- A)é correta.
Errada, porque a afirmação não está necessariamente correta só por trazer um resultado favorável em muitos pacientes.
- B)pode ser incorreta, uma vez que não apresentou uma taxa.
Errada, porque o problema principal não é a ausência de taxa, já que o folheto informa uma proporção de 95%.
- C)pode estar incorreta, uma vez que não havia grupo controle.
Certa, porque sem grupo controle não dá para saber se a melhora ocorreu pelo medicamento ou por evolução natural da doença.
- D)pode estar incorreta, porque não calculou o valor de p.
Errada, porque valor de p é importante em estudos analíticos, mas aqui a falha mais básica é a falta de comparação entre grupos.
- E)pode estar incorreta, porque não realizou um acompanhamento por um longo prazo.
Errada, porque o curto acompanhamento não é o ponto central do erro descrito no enunciado.
Gabarito: C
Esse enunciado parece bonito à primeira vista, porque mostra um número grande de pacientes e um resultado chamativo em poucos dias. Mas em Epidemiologia isso não basta. Dizer que 95% ficaram assintomáticos após usar um medicamento não prova, por si só, que a melhora foi causada pelo remédio. Pode ter havido melhora espontânea da doença, efeito placebo, seleção de casos mais leves ou até erro de comparação. Em estudos de eficácia, o ideal é comparar o grupo tratado com um grupo controle, preferencialmente em ensaio clínico, para medir se a melhora foi realmente maior do que a esperada sem a intervenção. Sem esse comparador, a conclusão vira mais propaganda do que evidência. Por isso, a crítica central é a ausência de grupo controle: o folheto até informa um percentual, mas não demonstra causalidade nem permite afirmar eficácia com segurança.