Paciente com 18 anos queixa-se de disfagia e dor abdominal. É submetido a endoscopia digestiva alta. Imagens endoscópicas e biopsias seriadas de esôfago sugerem se tratar de uma esofagite eosinofílica. Nessa condição, indique a melhor opção terapêutica.
- A)Infliximab para reduzir resposta TH1.
Errada, porque infliximabe não é tratamento padrão da esofagite eosinofílica e a fisiopatologia não é de predomínio Th1.
- B)Metilprednisolona 1mg/kg/dia por 30 dias com redução gradual.
Errada, pois corticoide sistêmico não é a melhor escolha de rotina; preferem-se corticoides tópicos deglutidos para menor toxicidade.
- C)Montelucaste, antagonista de leucotrienos, tem excelente resposta clínica.
Errada, porque montelucaste não tem excelente resposta clínica e não é terapia de primeira linha nessa doença.
- D)Budesonida tópica e fluticasona são opções terapêuticas excelentes.
Certa, porque budesonida tópica e fluticasona deglutidas são terapias efetivas e consagradas na esofagite eosinofílica.
- E)Dietas restritivas de carne bovina e frutas cítricas são excelentes opções terapêuticas.
Errada, pois dietas de eliminação podem ajudar, mas não se restringem a carne bovina e frutas cítricas, que não são a base do manejo.
Gabarito: D
A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória crônica, muito ligada a alergia e a resposta imunológica do tipo Th2. Em geral, aparece em jovens com disfagia, impactação alimentar e, às vezes, dor abdominal ou pirose que não melhora como o refluxo comum. Na endoscopia, podem surgir anéis, sulcos longitudinais, exsudatos e aspecto de esôfago 'traquealizado'. O tratamento costuma combinar medidas dietéticas e fármacos anti-inflamatórios locais. O ponto-chave aqui é que os corticoides tópicos deglutidos, como budesonida e fluticasona, reduzem a inflamação da mucosa esofágica com boa eficácia e menos efeitos sistêmicos. Por isso, são opções clássicas e muito cobradas em prova. Também podem ser usados inibidores de bomba de prótons e dietas de eliminação em casos selecionados, mas a ideia da questão é reconhecer a terapia mais consagrada entre as alternativas. Corticoide sistêmico fica para situações especiais, pois traz mais efeitos adversos e não é a escolha padrão quando dá para tratar localmente. Então, o gabarito é a letra D porque budesonida tópica e fluticasona são tratamentos excelentes na esofagite eosinofílica, justamente por agirem onde o problema está: na mucosa do esôfago. É o tipo de conduta que a banca adora transformar em pegadinha com opções de imunossupressor, antibiótico ou dieta mal formulada.