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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Mulher, 25 anos, foi diagnosticada com angioedema hereditário (AEH) com deficiência quantitativa do inibidor de C1 e tem um filho com 6 meses de idade, saudável e assintomático. Ela está preocupada com a possibilidade do seu filho também apresentar a mesma doença. Quanto ao diagnóstico do AEH nesta criança, assinale a opção que indica a melhor conduta.

Gabarito: D

O angioedema hereditário (AEH) por deficiência de C1-inibidor é uma doença autossômica dominante, então o filho de uma paciente afetada tem risco real de também portar a alteração. O ponto-chave aqui é a idade: em lactentes pequenos, os testes de complemento podem vir alterados de forma transitória, o que atrapalha a interpretação. Por isso, não basta fazer um exame e bater o martelo com 6 meses de vida, como se o laboratório fosse um oráculo infalível. Na suspeita de AEH, os exames clássicos são C4, dosagem quantitativa do C1-inibidor e, idealmente, sua avaliação funcional. O C4 costuma estar reduzido e é um bom exame de triagem, mas em crianças muito pequenas isso ainda pode ser pouco confiável. A interpretação fica mais segura com a repetição após 1 ano de idade, quando o sistema complemento já está mais maduro. Se houver disponibilidade, o teste genético ajuda bastante, porque identifica a mutação causal e pode esclarecer o diagnóstico mais cedo. Em uma criança assintomática, isso é especialmente útil para orientar seguimento, evitar gatilhos e planejar condutas em procedimentos e emergências. Assim, a melhor conduta é pedir C4, avaliação quantitativa e funcional do C1-inibidor e repetir depois de 1 ano de idade, com teste genético se disponível. A lógica da banca aqui é simples: em bebê pequeno, exame isolado pode enganar; em concurso, quando o laboratório pode falhar pela idade, a banca adora uma repetição estratégica.

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