Uma criança de 2 anos, sexo masculino, previamente hígida iniciou quadro de tosse e febre há 3 dias. Mãe relata regular estado geral e boa aceitação de líquidos. A radiografia de tórax evidencia pneumonia em lobo inferior esquerdo e derrame pleural homolateral. Foi realizada punção pleural. O resultado do líquido pleural foi bacterioscopia negativa; aspecto citrino; pH = 7,4; proteína = 4,2g/dL; LDH = 350UI/L; glicose: 60 mg/dL. De acordo com o resultado do líquido pleural, assinale a opção que indica a conduta correta.
- A)Trata-se de transudato; internação e antibioticoterapia EV.
Errada, porque o líquido é compatível com exsudato e, além disso, pneumonia com derrame pleural exige internação e antibiótico intravenoso.
- B)Trata-se de transudato; iniciar antibiótico VO e rever em 48 horas.
Errada, porque não se trata de transudato e antibiótico por via oral isolado é insuficiente para pneumonia associada a derrame pleural.
- C)Trata-se de exsudato; internação e antibioticoterapia EV.
Certa, pois o líquido pleural é exsudativo e a conduta é internação com antibioticoterapia intravenosa.
- D)Trata-se de exsudato; internação, antibiótico e realizar drenagem fechada.
Errada, porque a drenagem fechada não é obrigatória em todo exsudato; ela fica indicada principalmente nos derrames complicados ou empiema.
- E)Trata-se de empiema; internação, antibiótico e realizar drenagem fechada.
Errada, porque não há critérios de empiema, já que o líquido não é purulento e o pH está normal, sem evidência de derrame pleural complicado.
Gabarito: C
Quando uma criança com pneumonia faz derrame pleural, o primeiro passo é pensar se esse líquido é transudato ou exsudato. Na prática, em contexto infeccioso, derrame pleural ao lado de pneumonia quase sempre aponta para processo inflamatório, ou seja, exsudato. Os critérios clássicos para exsudato incluem proteína elevada, LDH aumentado e relação com doença local, e não com problema sistêmico como insuficiência cardíaca ou cirrose. Aqui, o líquido pleural tem proteína de 4,2 g/dL e LDH de 350 UI/L, além de ocorrer junto de pneumonia. Isso sustenta exsudato. O pH de 7,4 e a glicose de 60 mg/dL mostram que não há sinais de derrame pleural complicado ou empiema, porque nesses casos costuma haver pH baixo, glicose baixa, pus ou bacterioscopia/cultura mais frequentemente positivas. Então a conduta é internação e antibioticoterapia intravenosa. A criança precisa de tratamento hospitalar porque há pneumonia com derrame pleural, mas não há indicação obrigatória de drenagem fechada só com esses dados. Drenagem entra mais forte quando o derrame é complicado, loculado, purulento ou com pH baixo, glicose baixa e pior evolução clínica. Em resumo: é um exsudato parapneumônico não complicado, e a melhor resposta é a que associa internação e antibiótico EV. A banca costuma cobrar exatamente essa diferença entre derrame parapneumônico simples e empiema, então vale decorar: líquido inflamatório com pH bom não é empiema, é caso para antibiótico e vigilância.