Sobre a avaliação diagnóstica de pacientes suspeitos de pancreatite crônica por exames de imagem, assinale a afirmativa correta.
- A)A tomografia computadorizada tem maior sensibilidade que a ecoendoscopia, no diagnóstico de pancreatite crônica.
Errada, porque a ecoendoscopia costuma ser mais sensível que a tomografia, especialmente nos estágios iniciais da pancreatite crônica.
- B)A CPER tem como principal utilidade as intervenções terapêuticas; como método diagnóstico há outros exames menos invasivos e com maior sensibilidade para diagnóstico da pancreatite crônica.
Certa, pois a CPER ficou principalmente para intervenção terapêutica, já que exames menos invasivos podem diagnosticar a doença com bom rendimento.
- C)A ressonância magnética é útil na avaliação de alterações ductais e parenquimatosas da pancreatite crônica, diferentemente da ecoendoscopia, que é útil apenas na avaliação ductal.
Errada, porque a ressonância avalia tanto alterações ductais quanto parenquimatosas, e a ecoendoscopia também avalia o parênquima, não só o ducto.
- D)A atrofia do parênquima pancreático é achado de elevada especificidade para diagnóstico da pancreatite crônica.
Errada, porque a atrofia pancreática pode ocorrer, mas isoladamente não tem alta especificidade para pancreatite crônica.
- E)Os achados tomográficos clássicos da pancreatite crônica são atrofia do parênquima, estenose do duto principal e calcificações pancreáticas.
Errada, porque esses são achados clássicos, mas a formulação sugere que bastariam para definir o diagnóstico tomográfico sem considerar o contexto e a limitação de sensibilidade em fases iniciais.
Gabarito: B
Na pancreatite crônica, o diagnóstico por imagem costuma juntar peças de um quebra-cabeça: alterações do ducto pancreático, do parênquima e, em fases mais avançadas, calcificações. Os exames mais usados para investigar são a tomografia, a ressonância magnética com colangiorressonância e a ecoendoscopia, cada um com sua força. A tomografia é ótima para ver calcificações e complicações, a RM ajuda muito na avaliação ductal e parenquimatosa, e a ecoendoscopia costuma ser a mais sensível nos casos iniciais ou discretos. A CPER (colangiopancreatografia endoscópica retrógrada) hoje não é o exame de escolha para diagnosticar pancreatite crônica, porque é invasiva e pode causar complicações, especialmente pancreatite pós-procedimento. Ela ficou principalmente para fins terapêuticos, como drenagem e tratamento de estenoses ou cálculos ductais. Por isso, quando a banca compara CPER com métodos menos invasivos, a lógica é essa: primeiro vêm os exames não invasivos; CPER entra mais como ferramenta de intervenção. É exatamente isso que faz a alternativa B ser a correta. Em outras palavras, a CPER tem utilidade principal terapêutica, enquanto há exames menos invasivos que ajudam no diagnóstico com bom desempenho. Esse raciocínio é o que aparece na prática clínica e nas diretrizes atuais de avaliação da doença pancreática crônica. As outras alternativas tentam confundir você trocando a ordem de sensibilidade entre exames ou exagerando o valor de um achado isolado. Em pancreatite crônica, nenhum sinal único fecha diagnóstico sozinho em todos os casos: o conjunto dos achados é que manda. A banca adora essa confusão elegante, então vale ficar atento.