Mulher de 50 anos, com hipertensão arterial leve e história pregressa de histerectomia total abdominal por miomatose uterina, apresenta quadro de fogachos intensos, insônia e alteração do humor. O perfil lipídico evidenciou colesterol total=170 mg/dL, LDL =110 mg/dL, HDL=50 mg/dL e triglicerídeos = 400 mg/dL. Densitometria óssea com T-Score de 0 a -1,0 DP. IMC 21 kg/m2. Deseja iniciar terapia hormonal. Para esse caso, assinale a afirmativa que indica a melhor opção terapêutica
- A)Estrogênios conjugados por via oral.
Errada, porque o estrogênio oral pode elevar triglicerídeos e não é a melhor escolha em uma paciente com TG de 400 mg/dL.
- B)Tibolona isolada.
Errada, porque a tibolona também não é a opção preferida quando há hipertrigliceridemia relevante e a questão pede a melhor terapia hormonal.
- C)Estriol por via vaginal.
Errada, porque o estriol vaginal é usado sobretudo para sintomas geniturinários locais, não para fogachos intensos e insônia.
- D)Estradiol por via transdérmica.
Certa, porque a via transdérmica evita o primeiro passo hepático, é mais adequada em hipertrigliceridemia e trata os sintomas vasomotores.
- E)Estrogênio associado a progestágeno por via oral.
Errada, porque após histerectomia não há necessidade de progestágeno, e a via oral ainda pode piorar o perfil de triglicerídeos.
Gabarito: D
Essa questão mistura sintomas climatéricos com escolha da via de terapia hormonal, e aqui a via faz toda a diferença. A paciente tem fogachos intensos, insônia e alteração do humor, então há indicação de tratamento hormonal se não houver contraindicação importante. Como ela já fez histerectomia total, não precisa associar progestágeno, porque não existe endométrio a proteger. O ponto decisivo é o triglicerídeo de 400 mg/dL. Estrogênio por via oral passa primeiro pelo fígado e pode piorar triglicerídeos, além de aumentar o risco de alguns eventos trombóticos em comparação com a via transdérmica. Por isso, quando a paciente tem hipertrigliceridemia ou maior preocupação metabólica e vascular, a via transdérmica costuma ser a melhor escolha. A reposição hormonal com estradiol transdérmico oferece alívio dos sintomas vasomotores com menor impacto hepático. Em prova, pense assim: útero presente? precisa de progestágeno. Triglicerídeo alto? fuja da via oral. Fica mais elegante escolher a via que respeita o metabolismo da paciente, sem dar trabalho extra ao fígado. Em resumo, ela tem sintomas claros de climatério, não tem útero e apresenta hipertrigliceridemia importante, então a opção mais adequada é o estradiol por via transdérmica.