A colonoscopia é considerada um procedimento seguro, porém complicações são possíveis por ser um método invasivo. Em relação às complicações referentes ao método de diagnóstico endoscópico, assinale a afirmativa verdadeira.
- A)Nos pacientes com história de infarto agudo do miocárdio recente, a colonoscopia está associada a maiores taxas de complicações cardiovasculares primárias, transitórias e menores, comparadas aos pacientes controles, e infrequentemente associados a complicações maiores.
Correta: pacientes com infarto recente têm mais eventos cardiovasculares com a colonoscopia, sobretudo complicações primárias, transitórias e menores, enquanto as maiores são incomuns.
- B)Presença de sinais localizados de irritação peritoneal, febre e leucocitose no exame laboratorial em pacientes com síndrome pós-polipectomia são indicadores para o tratamento cirúrgico.
Errada: síndrome pós-polipectomia geralmente é tratada de forma conservadora, e os sinais citados não indicam automaticamente cirurgia.
- C)O tamanho e a localização do pólipo colônico ressecado não predizem maiores riscos de sangramentos tardios.
Errada: o tamanho do pólipo e sua localização, especialmente em alguns segmentos colônicos, influenciam o risco de sangramento tardio.
- D)A incidência do trauma esplênico durante a colonoscopia é incomum e quando ocorre é devido principalmente pelo trauma direto ao órgão, sendo a laceração do parênquima a lesão mais comum.
Errada: a lesão esplênica é rara e costuma decorrer de tração sobre o baço e seus ligamentos, não de trauma direto como regra.
- E)O reflexo vasovagal é tipicamente autolimitado e está relacionado, na maioria dos casos, à sedação.
Errada: o reflexo vasovagal é tipicamente autolimitado, mas está mais ligado ao estímulo vagal do procedimento do que à sedação na maioria dos casos.
Gabarito: A
A colonoscopia costuma ser segura, mas, como qualquer procedimento invasivo, pode trazer complicações. As mais lembradas em prova são perfuração, sangramento, eventos cardiocirculatórios, reação vasovagal e, mais raramente, lesão esplênica. A pegadinha da banca é misturar o que é comum com o que é grave, ou trocar a causa principal da complicação. No paciente com infarto agudo do miocárdio recente, a colonoscopia exige mais cautela porque há aumento de complicações cardiovasculares, especialmente as primárias, transitórias e menores. Mesmo assim, complicações maiores são infrequentes, que é exatamente o ponto cobrado na alternativa A. Em outras palavras: o risco sobe, mas não significa que o exame esteja proibido em todo caso, e sim que a avaliação do momento clínico precisa ser muito cuidadosa. Outra complicação clássica é a síndrome pós-polipectomia, que cursa com dor abdominal, febre, leucocitose e sinais locais de irritação peritoneal sem perfuração franca. O tratamento, em geral, é clínico e conservador; cirurgia entra na história quando há suspeita de perfuração, piora clínica ou instabilidade. Também vale lembrar que o sangramento tardio é mais provável em pólipos grandes e em algumas localizações, então tamanho e localização importam, sim. Por fim, o trauma esplênico na colonoscopia é raro e costuma ocorrer por tração do ligamento esplenocólico ou aderências, não por trauma direto no órgão. Já o reflexo vasovagal costuma ser autolimitado e relacionado a dor, distensão e estímulo vagal, mais do que à sedação em si. Em prova, quando aparecer colonoscopia, desconfie de frases absolutas: quase sempre a banca troca mecanismo, gravidade ou indicação de tratamento.