O óxido nítrico inalado (iNO) se difunde através da membrana alvéolo-capilar, alcançando a célula muscular lisa vascular onde promove relaxamento. Sobre o uso do iNO, assinale a afirmativa incorreta.
- A)As doses seguras variam de 5 a 80 ppm.
Correta: as doses clínicas usuais ficam nessa faixa, com ajuste conforme resposta e monitorização.
- B)A reação do iNO com a hemoglobina produz metemoglobina.
Correta: o iNO pode oxidar a hemoglobina e levar à formação de metemoglobina.
- C)A suspensão da iNO deve ser gradual para evitar efeito rebote com aumento da pressão arterial pulmonar.
Correta: a retirada deve ser gradual para evitar efeito rebote com aumento da pressão pulmonar.
- D)Mesmo em doses adequadas, sempre ocorrem efeitos sistêmicos na iNO.
Errada: o iNO é vasodilatador pulmonar seletivo e não produz sempre efeitos sistêmicos em doses adequadas.
- E)A iNO leva a redução da pós-carga do ventrículo direito.
Correta: ao reduzir a resistência vascular pulmonar, o iNO diminui a pós-carga do ventrículo direito.
Gabarito: D
O óxido nítrico inalado (iNO) é um vasodilatador pulmonar seletivo: ele chega aos alvéolos, atravessa a membrana alvéolo-capilar e relaxa a musculatura lisa dos vasos pulmonares, melhorando a relação ventilação/perfusão. O detalhe importante é que seu efeito é predominantemente local, porque ao entrar na circulação ele é rapidamente inativado pela hemoglobina, o que limita efeitos sistêmicos. Por isso, ele é muito usado em situações de hipertensão pulmonar e hipoxemia refratária, especialmente em cenários de UTI e cardiologia pediátrica. A suspensão precisa ser gradual, porque a retirada brusca pode causar vasoconstrição de rebote e aumento da pressão arterial pulmonar. A alternativa incorreta é a que afirma que, mesmo em doses adequadas, sempre ocorrem efeitos sistêmicos. Isso não corresponde ao perfil do iNO: ele foi justamente desenvolvido para agir de forma seletiva no leito vascular pulmonar, com pouca repercussão sistêmica quando usado corretamente. Como em toda boa pegadinha de prova, a banca mistura um efeito possível com um efeito inevitável, e aí mora o erro. Outro ponto cobrado com frequência é que o iNO pode oxidar a hemoglobina e formar metemoglobina, além de gerar nitrogenados que exigem monitorização. Então, embora seja um recurso útil, ele não é um spray mágico: precisa de dose, vigilância e desmame adequados. Em resumo, pense no iNO como um vasodilatador pulmonar seletivo, com ação local, risco de rebote na suspensão abrupta e necessidade de monitorar metemoglobina. O item errado é justamente o que transforma um efeito sistêmico eventual em algo obrigatório.