Sobre a doença de Bowen, assinale a afirmativa correta.
- A)É um carcinoma intraepidérmico que pode evoluir para carcinoma espinocelular invasivo.
Certa: a doença de Bowen é um carcinoma intraepidérmico (carcinoma espinocelular in situ) e pode evoluir para carcinoma espinocelular invasivo.
- B)Apresenta-se inicialmente como nevus azul ou melanocítico.
Errada: nevus azul ou melanocítico é lesão pigmentada benigna, sem relação com a apresentação típica da doença de Bowen.
- C)Caso invada a profundidade, passa a se chamar eritroplasia.
Errada: eritroplasia não é a evolução para invasão; o termo se refere a outra apresentação clínica, não à mudança histológica da doença de Bowen.
- D)Na evolução tardia, faz diagnóstico diferencial com úlcera de Marjolin.
Errada: úlcera de Marjolin é carcinoma espinocelular associado a cicatriz/ferida crônica, não o diagnóstico diferencial clássico da doença de Bowen tardia.
- E)O tratamento deve ser clínico com esteroides tópicos.
Errada: o tratamento não é clínico com esteroides tópicos, e sim com abordagens como excisão, curetagem/eletrocoagulação, crioterapia ou terapias tópicas específicas em casos selecionados.
Gabarito: A
A doença de Bowen é, na prática, um carcinoma espinocelular in situ, ou seja, um câncer de pele ainda restrito à epiderme, sem invasão da derme. Por isso, costuma aparecer como uma placa eritematosa, descamativa e bem delimitada, que pode parecer uma “mancha teimosa” e não melhora com tratamentos simples. O ponto-chave da questão é justamente esse: enquanto a lesão não invade a profundidade, ela é classificada como carcinoma intraepidérmico. Se houver progressão e a lesão ultrapassar a membrana basal, aí ela deixa de ser in situ e passa a ser carcinoma espinocelular invasivo. Essa possibilidade de evolução é o motivo de a doença de Bowen merecer diagnóstico e tratamento precoces. Em resumo: ficou na epiderme, é in situ; invadiu, virou invasivo. As alternativas erradas tentam confundir você com lesões pigmentadas, termos de outras entidades ou tratamento inflamatório, mas a doença de Bowen não é nevus, não é eritroplasia e não se trata com corticoide tópico. O manejo costuma ser destrutivo, cirúrgico ou tópico oncológico em casos selecionados, dependendo do tamanho, localização e contexto clínico.