Menina de 1 ano de idade é encaminhada ao ambulatório de pediatria para investigação de episódios recorrentes de sibilância, disfagia, estridor, tosse, que costumam piorar ou surgir durante as mamadas ou com agitação. Ao exame físico encontrava-se eutrófica, eupneica (FR: 32ipm) e com sibilância difusa. Você solicita uma seriografia que revela indentação posterior do esôfago. A seguir, você deve solicitar
- A)radiografia de tórax.
Radiografia de tórax pode ser inicial em alguns casos, mas costuma ser inespecífica e não define a compressão vascular.
- B)tomografia de tórax de alta resolução, com contraste e reconstrução tridimensional.
Correta: a tomografia com contraste e reconstrução 3D é o melhor exame para caracterizar o anel vascular e sua relação com traqueia e esôfago.
- C)phmetria.
A pHmetria investiga refluxo gastroesofágico, mas não esclarece uma compressão extrínseca já sugerida pela seriografia.
- D)endoscopia digestiva.
A endoscopia pode mostrar compressão ou excluir lesão intraluminal, porém não é o exame de escolha para definir a anatomia vascular do problema.
- E)teste do suor.
O teste do suor é útil para fibrose cística, mas o quadro e a seriografia apontam para outra etiologia.
Gabarito: B
A criança da questão tem um quadro bem sugestivo de compressão extrínseca de via aérea e esôfago, algo que faz pensar em anel vascular. Os sintomas que pioram durante as mamadas ou com agitação, como sibilância, tosse, estridor e disfagia, apontam mais para um problema anatômico do que para as causas comuns de chiado na infância. A seriografia mostrando indentação posterior do esôfago é uma pista importante: ela sugere compressão por estrutura vascular. Nessa situação, o próximo passo é definir a anatomia com um exame de imagem que mostre bem os vasos e sua relação com traqueia e esôfago. Por isso, a tomografia de tórax de alta resolução, com contraste e reconstrução tridimensional, é o exame mais útil aqui. Ela ajuda a confirmar o anel vascular, identificar o tipo de malformação e planejar a conduta cirúrgica quando indicada. Em pediatria, o raciocínio é simples: quando o sintoma parece respiratório, mas vem junto com disfagia e piora na alimentação, pense em compressão mecânica. A endoscopia, a pHmetria e o teste do suor podem entrar no diferencial de refluxo, estenose ou fibrose cística, mas não explicam tão bem a indentação esofágica vista no contraste. Então, o caminho é sair do "chiado de sempre" e procurar a causa estrutural.