A cirurgia de Jatene, ou Switch Arterial, é a técnica cirúrgica em que o sangue é redirecionado ao nível das grandes artérias, de forma que o ventrículo esquerdo morfológico se torna o ventrículo sub-aórtico e dá suporte à circulação sistêmica, e o ventrículo direito morfológico se torna o ventrículo subpulmonar. Poderíamos considerar como complicações tardias deste procedimento as situações abaixo, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Obstrução do trato de saída do ventrículo direito.
Certa como complicação tardia, porque pode haver estreitamento do trato de saída do ventrículo direito após o switch arterial.
- B)Regurgitação valvar aórtica.
Certa como possível complicação tardia, pois alterações valvares podem ocorrer no seguimento após a cirurgia.
- C)Obstrução coronariana.
Certa como complicação tardia, já que a manipulação e reimplante das coronárias podem gerar estenose ou obstrução.
- D)Comunicação interventricular residual.
Errada, porque comunicação interventricular residual não é complicação tardia típica da cirurgia de Jatene, e sim um defeito residual ou associado à cardiopatia de base.
- E)Isquemia miocárdica.
Certa como complicação tardia, pois obstrução coronariana pode levar a redução de perfusão e isquemia miocárdica.
Gabarito: D
A cirurgia de Jatene, ou Switch Arterial, é usada principalmente na transposição das grandes artérias. A ideia é simples e brilhante: devolver cada ventrículo ao seu trabalho natural, com o ventrículo esquerdo sustentando a circulação sistêmica e o direito mandando sangue para os pulmões. Parece um “rearranjo de encanamento”, mas o resultado depende de detalhes técnicos delicados, principalmente da transferência das coronárias. Nas complicações tardias, você costuma pensar em problemas de fluxo e de crescimento das estruturas manipuladas. Por isso, podem aparecer obstrução do trato de saída do ventrículo direito, estenose/obstrução coronariana e até isquemia miocárdica secundária à má perfusão coronária. Também podem existir alterações valvares, como regurgitação aórtica, em alguns contextos de seguimento. A alternativa que foge desse pacote é a comunicação interventricular residual. Isso não é uma complicação tardia típica do switch arterial em si, mas sim um defeito septal que, quando presente, geralmente faz parte da anatomia de base ou de uma correção incompleta associada. Em outras palavras: não é o tipo de sequela tardia clássica cobrada para a cirurgia de Jatene. Então, quando a questão pede a exceção, você deve olhar para aquilo que não nasce do pós-operatório tardio da correção arterial e sim de uma lesão estrutural residual. Foi exatamente por isso que a letra D é o gabarito.