O principal risco obstétrico da hepatite B é a transmissão perinatal. Em relação ao risco de transmissão perinatal, assinale a afirmativa correta.
- A)O risco de transmissão é proporcional à carga viral materna e positividade do antigeno e (HBeAg).
Certa, porque a transmissão perinatal aumenta com a carga viral materna elevada e com a positividade do HBeAg, que indicam maior infectividade.
- B)Antigeno c (HBcAg) positivo diminui as chances de transmissão perinatal.
Errada, porque o HBeAg e não o HBcAg é o marcador associado a maior replicação viral e maior risco de transmissão vertical.
- C)O parto cesáreo diminui o risco de transmissão.
Errada, porque o parto cesáreo não reduz de forma confiável a transmissão perinatal da hepatite B quando a profilaxia neonatal é feita corretamente.
- D)O uso da imunoglobulina especifica (HBIG) após o parto não contribui para diminuição da infecção no recém-nascido.
Errada, porque a HBIG após o parto, junto com a vacina, é justamente uma das principais medidas para diminuir a infecção no recém-nascido.
- E)Hepatite B não é uma doença passível de transmissão perinatal.
Errada, porque a hepatite B pode sim ser transmitida verticalmente, inclusive com risco importante de cronificação no bebê.
Gabarito: A
A hepatite B importa muito na obstetrícia porque a grande preocupação não é só a mãe, mas o bebê que pode adquirir o vírus no parto ou logo após o nascimento. A transmissão perinatal é um dos principais caminhos de cronificação da doença, então o foco é reduzir a chance de o recém-nascido ter contato com o vírus e, ao mesmo tempo, proteger rapidamente com imunoprofilaxia. Na prática, quanto maior a carga viral materna e quanto mais replicativo o vírus estiver, maior o risco de transmissão. Por isso, a positividade do HBeAg é um marcador clássico de alta infectividade e de maior chance de passagem vertical. Em gestantes com carga viral alta, inclusive, diretrizes recomendam antiviral no fim da gestação em situações específicas para reduzir o risco de transmissão. A prevenção do recém-nascido depende principalmente da vacina contra hepatite B e da imunoglobulina específica nas primeiras horas de vida, o que derruba muito o risco de infecção. Assim, a alternativa A está correta porque relaciona exatamente os principais fatores de risco: alta carga viral materna e HBeAg positivo.