Paciente de 28 anos em tratamento para infecção pelo HIV apresenta carga viral e tipagem linfocitária compatíveis com falha virológica. Vinha em uso de tenofovir, lamivudina e dolutegravir. Qual foi o critério utilizado para se confirmar a falha virológica?
- A)Tipagem linfocitária mantida < 200 células CD4+ por um período de três meses;
Errada, porque CD4 abaixo de 200 por 3 meses indica imunossupressão importante, mas não confirma falha virológica.
- B)Tipagem linfocitária mantida < 200 células CD4+ por um período de seis meses;
Errada, porque manter CD4 abaixo de 200 por 6 meses também não é critério de falha virológica; CD4 não substitui carga viral.
- C)Carga viral detectada em dois exames consecutivos em um intervalo de 4 semanas após três meses de tratamento;
Errada, porque o prazo de 3 meses é cedo demais para confirmar falha virológica e o critério depende de tempo maior de tratamento.
- D)Carga viral detectada em dois exames consecutivos em um intervalo de 4 semanas após seis meses de tratamento;
Certa, porque a confirmação da falha virológica é feita por carga viral detectável em dois exames consecutivos, com intervalo de 4 semanas, após 6 meses de tratamento.
- E)Tipagem linfocitária mantida < 200 células CD4+ por um período de quatro meses e independente da carga viral apresentada pela amostra.
Errada, porque CD4 baixo sozinho não define falha virológica e a carga viral precisa ser considerada para essa confirmação.
Gabarito: D
Na monitorização do tratamento do HIV, a carga viral é o principal marcador de resposta. Em geral, espera-se queda importante e, depois de um tempo adequado de terapia, supressão viral. Quando isso não acontece, o médico precisa diferenciar adesão ruim, interações medicamentosas e verdadeira falha virológica. O ponto-chave cobrado aqui é o critério temporal. A falha virológica não é confirmada logo no começo do tratamento, porque o organismo ainda pode estar respondendo. Ela é considerada quando há carga viral detectável em dois exames consecutivos, feitos com intervalo de 4 semanas, após pelo menos 6 meses de tratamento. Antes disso, pode haver ainda fase de queda viral ou necessidade de ajuste de adesão. Por isso, a alternativa D está correta: ela traz exatamente o critério de confirmação da falha virológica após tempo suficiente de terapia. Esse raciocínio é compatível com as diretrizes clínicas usadas no manejo da infecção pelo HIV, que valorizam a repetição do exame para evitar falso alarme por uma elevação transitória da carga viral. Resumo de prova: se a questão fala em falha virológica, pense em carga viral, repetição do exame e prazo de 6 meses. CD4 isolado ajuda na estratificação imunológica, mas não confirma falha virológica sozinho.