Paciente do sexo feminino, 76 anos, diagnosticada com cardiomiopatia dilatada de origem isquêmica, recebeu implante de dispositivo cardiodisfibrilador e ressincronizador implantável. Na primeira reavaliação, 1 mês após o implante do dispositivo, apresentava percentual de estimulação ventricular em 73%. Assinale a opção que não representa um motivo para a perda da estimulação ventricular e consequente perda da função de ressincronização.
- A)Fibrilação atrial.
Certo, porque a fibrilação atrial pode reduzir a porcentagem de estimulação ventricular efetiva e atrapalhar a ressincronização.
- B)Intervalo AV programado < 150ms.
Errado, porque um intervalo AV programado menor que 150 ms não causa perda da estimulação ventricular; em geral, ele favorece a captura pelo dispositivo.
- C)Extrassístoles ventriculares isoladas.
Certo, porque extrassístoles ventriculares isoladas podem interferir na entrega regular dos estímulos e diminuir a ressincronização efetiva.
- D)Taquicardia atrial focal.
Certo, porque a taquicardia atrial focal pode competir com o marcapasso e reduzir a porcentagem de estimulação ventricular.
- E)Undersensing atrial.
Certo, porque o undersensing atrial pode levar o dispositivo a não reconhecer corretamente a atividade atrial e programar mal a estimulação.
Gabarito: B
Na terapia de ressincronização, o objetivo é fazer o ventrículo bater de forma coordenada e em alta porcentagem de tempo. Se a paciente entra em ritmos que competem com o marcapasso, ou se há falhas de detecção/programação, a estimulação ventricular cai e a ressincronização perde efeito. Em outras palavras: o aparelho quer mandar no ritmo, mas o coração às vezes resolve fazer seu próprio samba. Situações como fibrilação atrial, taquicardia atrial focal e extrassístoles ventriculares podem reduzir a captura ventricular efetiva, porque atrapalham a entrega do estímulo ou a resposta sincronizada ao dispositivo. O undersensing atrial também pode comprometer o comportamento do aparelho, já que ele passa a interpretar mal a atividade elétrica e a programar a estimulação de modo inadequado. Já um intervalo AV programado menor que 150 ms, por si só, não é motivo de perda da estimulação ventricular. Pelo contrário, um intervalo AV curto tende a favorecer a captura ventricular pelo dispositivo, porque antecipa o estímulo ventricular antes da condução intrínseca competir com ele. Por isso, a alternativa B é a incorreta e é a resposta da questão. Em prova, a lógica é simples: tudo que favorece ritmo concorrente, falha de sensing ou batimentos não captados pode derrubar a porcentagem de biventricular pacing. O detalhe do intervalo AV curto é a isca clássica: ele parece suspeito, mas não explica perda de ressincronização neste caso.