Uma paciente de 35 anos de idade, sexo feminino, procura o hematologista com um hemograma – feito durante um check up - em que as séries branca e vermelha são normais, porém a contagem de plaquetas é de 10.000/µL, com aumento do volume plaquetário. A paciente não tem história pregressa ou atual de hemorragias e nem petéquias ou equimoses. Um aspirado de medula óssea mostra uma série megacariocótica sem hiper ou hipoproliferação e aspecto morfológico normal. À revisão da lâmina do sangue periférico, foi constatada a presença de inúmeros grumos plaquetários. Assinale a opção que indica o exame laboratorial que deve ser feito para a confirmação do diagnóstico.
- A)Biópsia de medula óssea.
Errada, porque a biópsia de medula não é o exame confirmatório aqui e a medula já mostrou megacariócitos morfologicamente normais.
- B)Pesquisa de anticorpos anti-GP-IIb/IIIa por citometria de fluxo.
Errada, porque anticorpos anti-GP-IIb/IIIa sugerem púrpura trombocitopênica imune, mas o quadro é de pseudotrombocitopenia por agregação em tubo.
- C)Nova contagem de plaquetas em sangue colhido em tubo contendo citrato.
Certa, porque a nova contagem em tubo com citrato ajuda a evitar a agregação plaquetária induzida por EDTA e confirma a pseudotrombocitopenia.
- D)Pesquisa de anti-HIV e anti-HCV.
Errada, porque anti-HIV e anti-HCV podem ser causas secundárias de trombocitopenia, mas não explicam os grumos plaquetários nem confirmam esse caso.
- E)Pesquisa de anticorpos contra antígenos plaquetários (antiHPA).
Errada, porque a pesquisa de anti-HPA pode ser útil em trombocitopenias imunes específicas, mas não é o exame confirmatório do artefato laboratorial descrito.
Gabarito: C
O caso descreve uma trombocitopenia que parece grave no papel, mas não bate com a clínica: a paciente não tem sangramento, o aspirado de medula está normal e, principalmente, a lâmina do sangue periférico mostra inúmeros grumos plaquetários. Isso aponta para uma trombocitopenia artificial, muito frequentemente causada por agregação plaquetária induzida por EDTA no tubo de coleta. Ou seja, a máquina conta mal porque as plaquetas ficam “grudadas” umas nas outras, parecendo menos do que realmente são. Nessa situação, o passo certo é repetir a contagem em sangue colhido em citrato, porque esse anticoagulante costuma evitar a agregação e permite confirmar se a plaquetopenia era real ou apenas um artefato laboratorial. Se a contagem normaliza, o diagnóstico é de pseudotrombocitopenia, e não de uma doença plaquetária verdadeira. Por isso, o gabarito é a alternativa C. Em prova, quando você vê plaquetas muito baixas, paciente assintomática, medula normal e aglomerados na lâmina, pense primeiro em erro pré-analítico antes de sair investigando causas hematológicas mais complexas. A banca adora esse tipo de armadilha: o exame grita “plaquetopenia”, mas o microscópio entrega o truque.