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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Uma paciente de 35 anos de idade, sexo feminino, procura o hematologista com um hemograma – feito durante um check up - em que as séries branca e vermelha são normais, porém a contagem de plaquetas é de 10.000/µL, com aumento do volume plaquetário. A paciente não tem história pregressa ou atual de hemorragias e nem petéquias ou equimoses. Um aspirado de medula óssea mostra uma série megacariocótica sem hiper ou hipoproliferação e aspecto morfológico normal. À revisão da lâmina do sangue periférico, foi constatada a presença de inúmeros grumos plaquetários. Assinale a opção que indica o exame laboratorial que deve ser feito para a confirmação do diagnóstico.

Gabarito: C

O caso descreve uma trombocitopenia que parece grave no papel, mas não bate com a clínica: a paciente não tem sangramento, o aspirado de medula está normal e, principalmente, a lâmina do sangue periférico mostra inúmeros grumos plaquetários. Isso aponta para uma trombocitopenia artificial, muito frequentemente causada por agregação plaquetária induzida por EDTA no tubo de coleta. Ou seja, a máquina conta mal porque as plaquetas ficam “grudadas” umas nas outras, parecendo menos do que realmente são. Nessa situação, o passo certo é repetir a contagem em sangue colhido em citrato, porque esse anticoagulante costuma evitar a agregação e permite confirmar se a plaquetopenia era real ou apenas um artefato laboratorial. Se a contagem normaliza, o diagnóstico é de pseudotrombocitopenia, e não de uma doença plaquetária verdadeira. Por isso, o gabarito é a alternativa C. Em prova, quando você vê plaquetas muito baixas, paciente assintomática, medula normal e aglomerados na lâmina, pense primeiro em erro pré-analítico antes de sair investigando causas hematológicas mais complexas. A banca adora esse tipo de armadilha: o exame grita “plaquetopenia”, mas o microscópio entrega o truque.

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