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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente de 23 anos, sem fatores de risco pré-operatórios é submetido à cirurgia refrativa bem sucedida para redução de ametropia miópica estável e evolui com ectasia corneana 12 anos após a cirurgia e consequente aumento da miopia, astigmatismo irregular, refração flutuante e visão de halos. Assinale a opção que indica a melhore conduta para este caso.

Gabarito: C

A ectasia corneana tardia após cirurgia refrativa é uma complicação em que a córnea perde estabilidade biomecânica e vai afinando e deformando aos poucos, como se ficasse mais “mole” do que deveria. O resultado é exatamente o que a questão descreve: aumento da miopia, astigmatismo irregular, refração flutuante e queixa de halos, sobretudo por piora da qualidade óptica. Nessa situação, o foco não é só “enxergar melhor no óculos”, mas frear a progressão da doença e regularizar a córnea. Por isso, a conduta mais adequada costuma combinar cross-linking corneano com riboflavina, que fortalece as fibras de colágeno e estabiliza a córnea, com anéis intracorneanos/intraestromais, que ajudam a remodelar a curvatura e reduzir o astigmatismo irregular. A lógica é boa de prova: quando há ectasia progressiva, a prioridade é estabilizar a estrutura. Só correção óptica, como óculos ou lentes, pode melhorar a visão, mas não trata a progressão. Já ceratoplastia fica para casos avançados ou quando há falha das medidas menos invasivas. Então, o gabarito é a letra C porque ela reúne o tratamento estabilizador da doença com uma medida de regularização corneana, que é o melhor encaixe para ectasia pós-cirurgia refrativa em paciente jovem e ainda tratável. Em resumo: primeiro segurar a córnea, depois tentar deixá-la mais “organizada” opticamente.

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