Paciente de 62 anos, diagnosticada com câncer de mama metastático. Possui um nódulo de 2x3cm em mama esquerda associado a linfadenomegalia homolateral. É assintomática. Durante exames de rastreamento foram detectadas metástases ossseas e pulmonares. Possui imunohistoquimica da biopsia mamaria com Receptores hormonais negativos e HER-2 postivo. Sobre o caso assinale a afirmativa correta.
- A)Primeira opção de tratamento para esta paciente é o tratamento cirúrgico do tumor, visto que no momento tratase de um tumor operável com cirurgia conservadora e esvaziamento axilar.
Errada: em doença metastática, a cirurgia do tumor primário não é a primeira opção de tratamento, pois o foco inicial deve ser sistêmico.
- B)Paciente possui metástases em locais pouco usuais visto que a maior incidência de metástases desse tumor é em sistema nervoso central e fígado.
Errada: ossos e pulmões são locais frequentes de metástase do câncer de mama, enquanto SNC e fígado também são comuns, não os mais exclusivos como a alternativa sugere.
- C)Paciente deve receber inicialmente tratamento sistêmico baseados em drogas Anti-HER-2 e quimioterapia com taxanos.
Certa: câncer de mama metastático HER-2 positivo deve iniciar tratamento sistêmico com droga anti-HER-2 associada à quimioterapia, frequentemente com taxano.
- D)Paciente tem indicação de receber quimioterapia com esquema semelhante ao da quimioterapia neoadjuvante, visto que metástases são assintomáticas.
Errada: a ausência de sintomas das metástases não muda o fato de que a doença é metastática e requer tratamento sistêmico direcionado, não simplesmente um esquema de neoadjuvância.
- E)Paciente deve ser tratada com radioterapia das lesões ósseas e, após, quimioterapia sistêmica.
Errada: radioterapia pode ser usada de forma paliativa em metástases ósseas selecionadas, mas não é a etapa inicial isolada nem substitui a terapia sistêmica.
Gabarito: C
Em câncer de mama metastático, a lógica muda bastante em relação à doença localizada: o objetivo principal deixa de ser operar o tumor da mama como primeira medida e passa a ser controlar a doença sistêmica. Quando há metástases em ossos e pulmões, mesmo que a paciente esteja assintomática, a conduta inicial costuma ser tratamento sistêmico, porque a doença já saiu do controle local e circula pelo organismo. No subtipo HER-2 positivo, a estrela do tratamento é a terapia anti-HER-2 associada à quimioterapia. Entre os esquemas usuais de primeira linha estão trastuzumabe + pertuzumabe + taxano, justamente porque essa combinação melhora resposta e sobrevida. Ou seja, aqui não faz sentido começar por cirurgia do nódulo mamário: isso não resolve a doença metastática e não é a estratégia inicial padrão. As metástases mais comuns do câncer de mama são, em geral, osso, pulmão, fígado e cérebro. Então, metástase óssea e pulmonar não é nada exótico; pelo contrário, é um padrão clássico. Radioterapia pode ter papel em lesões dolorosas, compressivas ou com risco de complicação, mas não substitui o tratamento sistêmico quando a doença é disseminada. Em resumo: doença metastática HER-2 positiva pede tratamento sistêmico com anti-HER-2 e quimioterapia, não cirurgia de primeira linha. É a oncologia dizendo: primeiro controle o todo, depois pense no detalhe.