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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente feminina, 68 anos, deu entrada no pronto-socorro com quadro de febre com calafrios, icterícia e dor abdominal no andar superior, acompanhado de náuseas e vômitos. Estava lúcida e relatou ter sido submetida há 1 ano a colecistectomia videolaparoscópica, com boa recuperação pós operatória. É hipertensa controlada e nega diabetes ou outras patologias. Diante desse quadro clínico, a hipótese diagnóstica mais provável é

Gabarito: D

A tríade febre com calafrios, icterícia e dor no andar superior do abdome é o clássico sinal de alarme para infecção da via biliar. Quando esse quadro aparece junto de náuseas e vômitos, a primeira hipótese que vem à cabeça é colangite aguda, porque geralmente existe obstrução do fluxo biliar associada a infecção bacteriana ascendente. É aquele cenário em que o corpo praticamente “grita” que a bile não está escoando direito e a via biliar virou um foco infeccioso. Na prática, a colangite costuma ocorrer por coledocolitíase, estenose biliar ou outra causa de obstrução. Mesmo após colecistectomia, a paciente ainda pode ter cálculo residual ou recorrente no colédoco, então a cirurgia da vesícula não elimina essa possibilidade. A história de dor abdominal alta, febre e icterícia encaixa muito melhor em via biliar do que em causas gástricas, urinárias ou intestinais. Esse quadro lembra a chamada tríade de Charcot: dor em hipocôndrio direito ou epigástrio, febre e icterícia. Se houver ainda hipotensão e alteração do nível de consciência, pensa-se na pentade de Reynolds, sinal de maior gravidade. Por isso o gabarito é colangite aguda: é uma emergência clínica e exige antibiótico, suporte e, muitas vezes, desobstrução biliar por CPRE. As outras alternativas não combinam com a apresentação. A banca costuma explorar justamente esse padrão clássico de síndrome colestática infecciosa para ver se você reconhece o quadro sem se perder no detalhe da colecistectomia.

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